Sporting-Arsenal: a “força aérea” inglesa traz o caos organizado

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A “força aérea” vai aterrar no relvado de Alvalade. O Sporting recebe o Arsenal nesta terça-feira (20h, SPTV 5) e a partida da primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões promete trazer um desafio pelos céus. Ou vários.

Falar do Arsenal e da sua força nos lances pelo ar – em particular nas bolas paradas – já é algo banal. É sabido o trabalho específico da equipa técnica de Mikel Arteta neste domínio e o efeito que produz: com 24 golos, é a equipa da Europa com mais golos marcados dessa forma. Também já marcou nove golos de vitória por esta via e Arteta… ainda quer mais: “Estou chateado por não marcarmos mais [em bolas paradas]”.

Mais relevante do que o alarme quanto ao poder aéreo do Arsenal será perceber de que forma esse poder se torna um problema para os adversários – e para o Sporting em particular. E também é relevante prever o que fazer para o contrariar – se é que há algo possível contra uma equipa que não só tem um treinador específico para as bolas paradas como ainda lhe paga um bónus por cada golo marcado dessa forma.

Caos organizado

Grande parte dos cantos do Arsenal são batidos com “pé fechado” – isto é, com um canhoto a bater à direita e um destro a bater à esquerda, de forma a provocar na trajectória da bola uma curva fechada.

O plano é quase sempre ter um jogador (muitas vezes Saliba) a importunar a acção do guarda-redes, pelo que Rui Silva terá de arranjar ferramentas para contornar esse problema. Rúben Amorim chegou a dizer, quando treinava o Manchester United, que “ao Arsenal são permitidas muitas coisas nos cantos” – referia-se à inércia dos árbitros para castigarem obstruções aos guarda-redes.

Os cantos são batidos quase sempre para a “pequena área” e é escolhida uma de duas vias: bola ao segundo poste que é devolvida à zona central pelo “gigante” que a ganhar (geralmente Gabriel) ou bola ao primeiro poste desviada por alguém nessa zona.

Segundo dados da Opta, existe uma boa distribuição no local escolhido, bem como na zona onde são marcados os golos – o que mostra variedade de soluções.

Costuma haver também um “caos organizado” provocado pelo Arsenal – pelo menos três jogadores fazem uma corrida desde o segundo poste em direcção a uma zona concreta, criando um engodo sobre o local onde a bola vai cair.

Pressionando o guarda-redes, variando as zonas onde coloca a bola e baralhando marcações, o Arsenal cria um total caos na área adversária – porventura também por isso já marcou sete golos em recargas ou segundas bolas e, em Inglaterra, já teve quatro autogolos a favor.

O que fazer?

A solução mais evidente é dizer aos jogadores “leoninos” para estarem concentrados, saltarem mais e serem fortes nos duelos aéreos. Mas, dada a força da equipa inglesa nestes lances, a tentação de qualquer treinador será a de colocar o máximo de jogadores que for possível dentro da área defensiva – quanto mais defensores, menor a probabilidade de sucesso do Arsenal.

Porém, quantos mais jogadores o Sporting deixar no ataque, maior a probabilidade de ferir o Arsenal em transições. É arriscado? É. E resulta? Bom, o Arsenal tem muito poucos golos sofridos de bola parada nesta temporada – o que sugere que ou as equipas não arriscam deixarem atacantes na frente ou o Arsenal sabe “matar” as transições rapidamente. Seja como for, é fácil imaginar alguns jogadores do Sporting a serem felizes em momentos desse tipo.

E o que vai fazer o Sporting em relação a tudo isto? Deixar jogadores no ataque? Pedir a alguém que proteja especificamente Rui Silva? Mudar o tipo de marcações? Escolher um “onze” mais capaz no jogo aéreo?

Não sabemos, porque na antevisão Rui Borges não foi desafiado a falar sobre muitos temas além do regresso de Gyokeres a Alvalade: “Dentro do colectivo, temos de conseguir pará-lo. Os grandes jogadores, por mais que a gente os conheça, conseguem fazer a diferença”.

Voltando às bolas paradas, sabemos que Morten Hjulmand, castigado, não vai a jogo – e o capitão está no top 10 de médios da Champions com mais duelos aéreos ganhos. Há, portanto, motivos suficientes de alarme, até porque o Arsenal é a equipa da Champions com mais duelos aéreos ganhos (Gabriel, Zubimendi e Merino estão em destaque entre os jogadores), enquanto o Sporting aparece fora do top 20 nessa métrica.

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