Arquitecto Kengo Kuma vai desenhar a nova ala da National Gallery

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O arquitecto japonês Kengo Kuma foi escolhido para desenhar a nova ala da National Gallery, em Londres, conforme foi anunciado esta quarta-feira. O atelier Kengo Kuma e Associados, que nos últimos anos tem somado projectos de relevância em Portugal ou associados a Portugal, como o pavilhão do país na exposição de Osaka ou a renovação do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, vai assinar parte da “maior e mais significativa transformação” do museu britânico após um concurso internacional para uma novo espaço que albergará parte da colecção da instituição.

Lançado em Setembro de 2025, o concurso obteve candidaturas de 65 propostas e o júri considerou a proposta de Kuma “exemplar”, atribuindo-lhe a pontuação máxima possível, diz a instituição em comunicado. O projecto de Kengo Kuma é feito em parceria com a empresa BDP, um atelier multidisciplinar que se move no terreno da arquitectura e do design, e com o estúdio britânico MICA, especializado em intervenções no património e conservação.

O arquitecto japonês afirmou, citado numa nota da instituição: “É um privilégio juntar-me à National Gallery neste projecto histórico. A colecção da National Gallery é um tesouro da humanidade e a tarefa da sua expansão, que acolherá estas obras-primas, é uma responsabilidade que assumimos com o maior cuidado e humildade”.

Uma vista simulada da entrada
national gallery/kengo kuma/kin creatives

Kengo Kuma suplantou propostas de arquitectos de renome como Norman Foster, Renzo Piano, Farshid Moussavi ou Annabelle Selldorf, detalha o diário britânico The Guardian. No total, eram seis finalistas. A nova ala fará parte do ambicioso Projecto Domani, orçado em cerca de 863 milhões de euros e que inclui também a extensão da sua colecção histórica para além de 1900, “tornando-a o único museu do mundo que expõe exclusivamente pintura” da tradição ocidental.

Para o júri, presidido por John Booth, também responsável máximo pelo conselho de curadores da National Gallery, “o projecto é simultaneamente inovador e belo, satisfazendo a ambição e a sensibilidade exigidas para um programa de uma galeria internacional”. A proposta de Kuma tem uma “abordagem ao espaço público e ao jardim do telhado [que] cria uma presença generosa, reforçada por árvores e vegetação”.

A nova ala inclui uma ligação a Leicester Square e criará um caminho até Trafalgar Square, gerando “um novo e aliciante espaço público entre elas”, diz Booth em comunicado oficial.

O projecto utilizará pedra Portland (calcária, oriunda do maciço da ilha homónima em Dorset e que faz parte da construção do Palácio de Buckingham e da Catedral de São Paulo) e “permite a entrada de luz natural no edifício”, diz o comunicado da National Gallery. Erguer-se-á nos terrenos conhecidos como St Vincent House, adquiridos há quase 30 anos para expandir o museu e que até hoje é a morada de um hotel e de um complexo de escritórios.

Já no interior, descreve o júri, no projecto aprovado “o estilo das galerias é muito simples e limpo, com um contraste entre o piso principal que incorpora abóbadas e arcos, enquanto o piso superior tem um design mais geométrico”. Salienta-se ainda a atenção ao impacto ambiental da obra e a preocupação com a sustentabilidade de longo prazo.

“Trata-se de uma apresentação exemplar, que demonstra uma forte compreensão da importância do valor social para este projecto e da forma como o valor social pode ser integrado nas iniciativas existentes da National Gallery e em futuros projectos da National Gallery.”

O Projecto Domani inclui um fundo de aquisições para pintura modernas. Para tal, o orçamento que ultrapassa os 800 milhões de euros conta com contributos de mecenas e uma campanha de angariação de fundos. Até agora foram recolhidos dois grandes donativos, da Fundação Crankstart e do Julia Rausing Trust, ambos no valor de cerca de 172 milhões de euros e classificados pela National Gallery como “os dois maiores donativos em dinheiro de sempre, comunicados publicamente, a um museu ou galeria a nível mundial”. Outros doadores preferiram manter o anonimato e ajudaram a amealhar um total de 431 milhões de euros.

Além do pavilhão de Portugal na exposição mundial de Osaka de 2025, em Portugal Kengo Kuma é autor do projecto de renovação do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, e da reconversão do antigo Matadouro Industrial de Campanhã, no Porto, num centro empresarial, social e cultural.

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