O Sporting sai da Champions com brio, mas sem milagre

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A missão não era impossível e, durante muito tempo, até pareceu possível, mas o Sporting não sobreviveu nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, eliminado pelo Arsenal após um empate (0-0) no jogo da segunda mão em Londres. O “leão” teve os seus momentos para poder ganhar no Emirates, mas os “gunners” foram muito competentes a defender a vantagem de um golo que traziam de Alvalade e seguem para as meias-finais, onde irão defrontar o Atlético Madrid.

Nesta Champions, o Sporting já abateu o campeão europeu, ganhou um lugar entre as oito melhores da fase Liga com um golo no último minuto, já virou uma eliminatória em que estava com três golos de desvantagem. Teria agora “apenas” de virar uma eliminatória em que a desvantagem era de “apenas” um golo. Porquê as aspas? Porque era o Arsenal, o líder da Premier League, a única equipa que não perdeu na Champions, a equipa com a melhor defesa da Europa, a equipa que gastou quase mil milhões de euros em contratações nas últimas cinco temporadas para ganhar coisas. Arteta queria fogo para defrontar os “leões” e não uma equipa em chamas, como se tem visto nos últimos tempos.

Sem pensar no futuro a curto prazo, o técnico dos “gunners” não poupou, arriscando em Declan Rice, o grande líder, para o “onze”, enquanto Rui Borges fez o mesmo, ao entrar com o seu lado A, à excepção do lesionado Fresneda – Eduardo Quaresma ocupou o lado direito da defesa. O ónus do jogo ofensivo no Emirates era do Sporting, a equipa que estava em desvantagem, mas os “leões” não se podiam lançar no ataque de forma desenfreada – a desvantagem não era grande. E o Arsenal, claro, não era uma equipa qualquer, mesmo não estando de todo no seu melhor momento.

Como Arteta prometera, os londrinos entraram com fogo, pressão alta, mas sem criar perigo. Rice e Zubimendi faziam o trabalho sujo, mas Eze, que devia ser a fonte de criatividade da equipa, não estava em jogo. Nem Gyökeres, ligeiramente menos desaparecido do que em Alvalade, com pouca acção para potenciar as suas qualidades. O fogo inicial do Arsenal baixou com o passar dos minutos e o Sporting passou a ter mais bola. E como precisava dela para respirar.

Sem desrespeitar o seu DNA, o Sporting foi aguentando a pressão e conseguiu, com mais frequência, ultrapassar linhas, mas só criava perigo quando evitava carrilar o jogo pelo centro. Era nas alas que os “leões” podiam criar perigo, Maxi pela esquerda e Geny Catamo pela direita como os principais catalisadores. Aos 18’, um mau passe de Saliba foi interceptado por Hjulmand, e a jogada rapidamente chegou a Trincão, que rematou por cima. Na resposta, Maxi perdeu uma bola para Madueke e Gyökeres conseguiu alvejar (sem perigo) a baliza de Rui Silva.

Bola ao poste

O Sporting conseguia defender com competência o jogo corrido do Arsenal e as sempre tão temidas bolas paradas. Com todos os cantos e livres perigosos, os “gunners” não conseguiam fazer cócegas. Já o Sporting, somava aproximações perigosas com remates intencionais. Aos 31’, uma boa iniciativa de Trincão deixou para Pedro Gonçalves finalizar, mas o remate saiu por cima.

E aos 43’, o Sporting esteve mais perto que nunca do golo. Suárez levou a bola até ao último terço, não conseguiu o remate, mas deixou em Trincão, que, por sua vez, distribuiu para Maxi. Com Mosquera a defender à distância, o uruguaio fez o passe para uma zona onde Geny tinha espaço para armar o remate de primeira. Raya ficou fora do lance e o remate do moçambicano acertou no poste. Todos os “leões” levaram as mãos à cabeça. Em Alvalade, tinha acontecido o mesmo.

Nos primeiros 45 minutos de futebol em Londres, o Sporting não foi melhor, mas foi equilibrado e teve as melhores oportunidades. Para os segundos, o Arsenal entendeu que não podia arriscar com o 0-0 e intensificou a pressão, de uma forma mais acentuada e prolongada, criando várias dificuldades ao bicampeão português. O Sporting aventurou-se menos na direcção da baliza contrária, mantendo a consistência defensiva.

Arteta foi refrescando a equipa com os vastos recursos que tinha no banco – Havertz, Trossard, Dowman, Jesus. Rui Borges respondeu com o que tinha – Bragança, Quenda, Simões. O Arsenal manteve o jogo longe da sua baliza, o Sporting não ganhou nada com as mudanças. E até foi o Arsenal a enviar também uma bola ao poste, por Trossard, após um canto.

Mesmo no último lance do jogo, o milagre quase se manifestou para o lado do Sporting. Lançamento longo para a área dos “gunners“, a bola chegou a João Simões e o jovem médio atirou – a bola saiu a rasar o poste. E o jogo acabou logo a seguir.

Os “leões” conseguiram sair de Londres sem perder. Dividiram uma eliminatória com os líderes da Premier League e deixaram-nos nervosos, obrigaram os favoritos a jogar feio. Mas isso não chegou. Afinal, aquele golo sofrido na compensação em Alvalade fez mesmo a diferença e fechou ao Sporting a porta da primeira presença da sua história nas meias-finais da competição. Não houve nenhum milagre de última hora, como houve tantos nesta Champions. Mas foi uma Champions para relembrar.

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