A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) abriu um procedimento administrativo de averiguação relativamente à ferramenta NewsWhip, contratada pela secretaria-geral do Governo que a classifica como clipping moderno, disse à Lusa fonte oficial.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da ERC adiantou que o Conselho Regulador da entidade, “na sua reunião de 16 de Abril, analisou a questão da NewsWhip, “tendo deliberado a abertura” de um procedimento administrativo de averiguações, ao abrigo das suas competências e atribuições.
Na segunda-feira, a secretaria-geral do Governo esclareceu que a ferramenta contratada da irlandesa NewsWhip é “um tipo de clipping moderno” que pesquisa em fontes abertas e de conteúdos públicos e rejeita que tal seja para monitorizar jornalistas, depois de o Correio da Manhã (CM) ter noticiado “Governo paga 40 mil euros para vigiar redes sociais e reagir a polémicas”. No esclarecimento, a secretaria-geral do Governo “rejeita liminarmente” que a ferramenta tenha sido contratada para “a catalogação e monitorização de jornalistas ou de vigilância geral”.
De acordo com a informação que consta no Portal Base, publicada a 1 de Abril, trata-se da “aquisição de uma plataforma digital avançada de análise preditiva” para a secretaria-geral do Governo à NewsWhip Media Ltd, por 39.999,96 euros.
Entretanto, na terça-feira, o director-geral da Visapress, Carlos Eugénio, em declarações à Lusa, afirmou que a ferramenta “não está licenciada” na entidade, alertando para a necessidade de autorização dos titulares de direitos de autor.
No dia seguinte, o ministro da Presidência asseverou que a utilização da NewsWhip vai respeitar as regras de protecção de dados (RGPD) e da propriedade intelectual. “O contrato, como saberão, tem regras que obrigam ao respeito das regras de protecção de dados (…) e à protecção de propriedade intelectual”, referiu o ministro na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, a 15 de Abril.
António Leitão Amaro disse que a aplicação é utilizada por “instituições de todo o tipo” e relembrou que “os dados são todos abertos” e que “há uma obrigação contratual”, neste caso, o respeito pelo Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD). O governante garantiu ainda que “não vai ser utilizada nenhuma ferramenta para catalogar, hierarquizar e vigiar jornalistas”.
“Enquanto eu estiver no Governo, seja com a ferramenta NewsWhip, seja com uma legião de assessores, seja com o que se quiser, não é uma prática aceitável”, enfatizou. “Não é uma prática que tenha acontecido com este Governo nem com a secretaria-geral por tudo o que eu pude apurar”, sublinhou.
O comunicado de esclarecimento enviado pela secretaria-geral fazia menção ao facto de várias entidades internacionais — como os governos de França e do Reino Unido e a Comissão Europeia — utilizarem esta plataforma, mencionando também vários órgãos de comunicação social, como é o caso do PÚBLICO.
O PÚBLICO já usou esta ferramenta no âmbito de um programa de monitorização de desinformação online, em parceria com o Iscte — Instituto Universitário de Lisboa. Esta plataforma foi contratada no âmbito do projecto Upstream, parceria com o MediaLab Iscte, para monitorizar desinformação em redes sociais e detectar narrativas emergentes.
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