Milhares de trabalhadores, vindos de vários pontos do país, saíram à rua esta sexta-feira, em Lisboa, para participar numa manifestação nacional convocada pela CGTP contra o novo pacote laboral. A iniciativa reuniu pessoas de todas as idades e de diversos sectores profissionais e decorreu de forma pacífica, embora marcada por duras críticas ao Governo.
O protesto teve início às 14h30, na Praça do Saldanha, onde milhares de participantes começaram a concentrar-se. A manifestação prosseguiu em direcção à Assembleia da República, local onde os manifestantes chegaram pouco depois das 16h.
Apesar do calor que se fazia sentir, a mobilização manteve-se expressiva ao longo da tarde. Durante o percurso, os participantes entoaram palavras de ordem como “Não vamos desistir, o pacote é para cair!”, evidenciando a rejeição às medidas em discussão. A acção decorreu sob o mote “Abaixo o Pacote Laboral! Aumentar salários, garantir direitos, é possível uma vida melhor”.
A manifestação surge num contexto de crescente contestação social. Nos últimos meses, têm-se intensificado protestos e greves em vários sectores, sobretudo na função pública, com impactos mais visíveis nas escolas e nos serviços de saúde. A CGTP tem alertado para aquilo que considera ser um agravamento das condições de trabalho e uma perpetuação da precariedade, especialmente entre os mais jovens.
Entre os presentes no protesto estiveram o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. Para os participantes, este trata-se de um momento decisivo. “É mais importante do que nunca unir os trabalhadores e fazer ouvir a sua voz para que o pacote possa cair e para que não haja retrocessos sociais e económicos”, conta ao PÚBLICO Hugo Gomes, estudante da Universidade de Lisboa.
Reuters
Também esta sexta-feira, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, voltou a reunir-se com a UGT e as quatro confederações patronais para proceder a “pequenas afinações” na legislação laboral. No entanto, o encontro terminou novamente sem acordo, mantendo-se a falta de consenso entre o Governo e a UGT.
A manifestação em Lisboa integra-se num conjunto mais amplo de iniciativas que têm ocorrido em todo o país. Protestos anteriores já juntaram milhares de pessoas em cidades como Lisboa e Porto, reflectindo o descontentamento crescente face às propostas do Governo. A CGTP tem prometido uma “resposta forte”, que dependerá da dimensão do que considera ser um ataque aos direitos dos trabalhadores.
Além deste protesto, esta sexta-feira ficou também marcada por greves em vários sectores da função pública, aumentando a pressão sobre o Executivo. Escolas, serviços administrativos e outras áreas registaram perturbações, evidenciando uma adesão significativa à paralisação.
Os sindicatos defendem que o pacote laboral poderá agravar a precariedade e fragilizar direitos conquistados nas últimas décadas. Já o Governo sustenta que as medidas pretendem dinamizar o mercado de trabalho e reforçar a competitividade económica.
Texto editado por Pedro Guerreiro
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