A Europa era um “protectorado” feliz dos EUA, agora precisa de se armar

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O ex-alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borrell, defendeu este sábado que a UE deve rearmar-se mais e de forma mais coordenada e comunitária: “Temos de nos rearmar mais porque nos desarmámos.”

Na sua intervenção na Global Progressive Mobilisation (GPM), na Fira de Barcelona Gran Via, em L’Hospitalet de Llobregat, o agora presidente do Barcelona Centre for International Affairs sustentou que a defesa deveria ser considerada “um bem público, tal como a educação ou a saúde”.

Borrell lembrou que, durante muitos anos, a defesa era vista como algo desnecessário e não prioritário, porque a Europa estava sob o “guarda-chuva protector” dos Estados Unidos e da NATO: “Éramos felizes por isso, um protectorado militar. Continuamos a sê-lo. No entanto, agora, o guarda-chuva protector pode não se abrir quando chove.”

Borrell defendeu que a UE deve começar a pensar no seu próprio sistema de defesa, com capacidades próprias, acrescentando que falar de uma Europa da defesa é “algo mais do que a soma das defesas dos Estados-membros”.

Para ele, existem duas categorias de países: os “servos felizes”, que acreditam que a defesa deve ser articulada no seio da NATO, e aqueles que, como a Espanha, consideram que não podem ser verdadeiramente independentes sem capacidades militares próprias, partilhadas no âmbito da União.

Defendeu também a posição do Governo espanhol de “dizer a Trump que não é necessário gastar 5%” em defesa, uma vez que considera essa percentagem uma variável arbitrária, acrescentando que o que Espanha deve fazer é cumprir os seus compromissos com a NATO, medindo isso através do output e não do input.

Borrell mostrou-se igualmente favorável à reforma dos processos de tomada de decisão da UE por unanimidade e saudou o facto de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter descoberto “que isso da unanimidade era muito mau, porque era muito difícil de aplicar”.

“O problema é que, para acabar com a unanimidade, é necessária a unanimidade”, lamentou Borrell, acrescentando que a UE foi criada para garantir a paz entre os europeus, mas não foi concebida para o mundo actual, nem para enfrentar agressões militares na Ucrânia e no Médio Oriente.

Disse ainda que a UE deve adaptar-se a esta realidade e, para isso, deve começar a trabalhar nessa Europa da defesa, numa “União dentro da União, onde não estariam todos, não teriam de estar todos, e aqueles que estivessem aceitariam abdicar do princípio da unanimidade”.

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