Leão XIV chega a Angola com um discurso contra a exploração capitalista dos recursos

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No seu primeiro discurso em Angola, terceira etapa da sua viagem a África, depois de Argélia e Camarões, e que inclui ainda a Guiné Equatorial, Leão XIV elogiou a alegria do povo angolano, que “nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir”, e pronunciou-se contra aqueles que só olham para Angola e para o continente africano com olhos de rapina.

“Demasiadas vezes se olhou e se olha para as vossas terras para dar, mas, mais frequentemente, para tirar algo”, disse o Papa falando em português com ligeiro sotaque brasileiro. “Quanto sofrimento, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais acarretam essa lógica extractivista. Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que pretende impor-se como o único possível”, acrescentou o santo padre.

“É necessário quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”, essa “lógica extractivista” do capitalismo que mata e destrói, acrescentou o santo padre perante uma plateia de diplomatas, governantes e membros da sociedade civil que encheram o novo salão protocolar da presidência de Angola, inaugurado em Novembro na nova marginal de Luanda.

Esta urgência visa evitar que se extingam definitivamente a alegria e a capacidade de sonhar que ainda restam nas sociedades africanas, “onde os seus jovens, os seus pobres, ainda sonham, ainda esperam, não se contentam com o que já existe, desejam reerguer-se, preparar-se para grandes responsabilidades, empenhar-se na primeira pessoa”.

Colocando-se humildemente “ao serviço das melhores forças que animam as pessoas e as comunidades de que Angola é um mosaico colorido”, o Papa agostiniano estendeu o convite: “Desejo ouvir e encorajar aqueles que já escolheram o bem, a justiça, a paz, a tolerância e a reconciliação. Ao mesmo tempo, com milhões de homens e mulheres de boa vontade que constituem a principal riqueza deste país, pretendo também invocar a conversão dos que, escolhendo caminhos opostos, impedem o seu desenvolvimento harmonioso e fraterno.”

Lembrando que a questão não é de agora, mas já vem de longe e urge resolver, citou o Papa Paulo VI que, “interpretando de forma penetrante as inquietudes do mundo juvenil, denunciava já há 60 anos o aspecto senil, totalmente anacrónico, de uma civilização comercial, hedonista, materialista, que ainda tenta passar por portadora do futuro”.

“Esta geração aguarda outra coisa”, disse Leão XIV. Aguarda mais diálogo, porque “no princípio está o diálogo”. Capaz de devolver a harmonia, “de superar situações e fenómenos de conflitualidade e inimizade que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”. Um diálogo que “não exclui a divergência”, procura é evitar o conflito.

E aqui citou o seu antecessor, Francisco, e a sua “interpretação inolvidável”, de que uns odeiam o conflito e passam de largo, como se nada fosse – “lavam as mãos para continuar com a sua vida”; enquanto outros, “entram de tal maneira no conflito que ficam prisioneiros, perdem o horizonte, projectam nas instituições as suas próprias confusões e insatisfações”.

Uma mensagem que ressoa em Angola, onde 22 anos depois da guerra civil, ainda se carrega o peso do conflito como uma assombração que não tem permitido a reconciliação, como referiu o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), o arcebispo de Saurimo, D. José Manuel Imbamba: “Vivemos muito do nosso passado sangrento, intolerante, de violência, e esta memória deve ser exorcizada para que tenhamos coragem e ousadia de encarar os nossos novos problemas sem esses assombramentos.”

A mensagem que o sumo pontífice traz a Luanda é que “há uma terceira forma”, que considera “a mais adequada, para enfrentar o conflito”: aceitá-lo, resolvê-lo e transformá-lo “no elo de ligação de um novo processo”. E dirigindo-se aos presentes na sala: “Não temais as divergências, nem extingais as visões dos jovens e os sonhos dos idosos. Saibam, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação.”

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