De óculos de sol, sorriso no rosto e corpo gingão, ao som do techno da DJ belga Charlotte Witte, muitos terão visto em Silvia Salis só mais uma fã no espectáculo que juntou mais de 20 mil pessoas, na Piazza Matteotti, em Génova, na tarde de 11 de Abril. Não terão reparado que, mesmo ali, ao lado da mesa da DJ dançava a presidente da Câmara da cidade. Alguém que antes de enveredar pela carreira política foi atleta olímpica e que actualmente já é apontada por alguns como uma potencial rival da Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana nas eleições legislativas do próximo ano.
Mas voltemos atrás um ano. Silvia Salis, actualmente com 40 anos, foi eleita presidente da Câmara de Génova – cidade de onde é natural – nas eleições locais em Maio de 2025, depois de vencer na primeira volta. A vitória pôs fim a oito anos de governação da direita na cidade, como escreveu o Guardian.
Sem afiliação partidária, Salis viu a sua candidatura apoiada pela coligação de centro-esquerda que incluía partidos como o Partido Democrático e o Movimento 5 Estrelas. A candidata progressista venceu o candidato Pietro Piciocchi, com pouco mais de 51% dos votos.
No dia a seguir a ser eleita, Salis afirmou, na sua página de Facebook, que a vitória que conquistara era também “daqueles que não se querem mais sentir na periferia, esquecidos pela administração e pela política”. o ano passado, Salis participou em protestos contra a guerra em Gaza e apoiou trabalhadores portuários que se impediram a o envio de armamento com destino a Israel.
De acordo com o Pagella Politica, Silvia Salis assumiu o compromisso de estar ao lado dos trabalhadores, tendo introduzido um salário mínimo para contratos municipais, por exemplo, mas também ao lado de minorias como a comunidade LGBTI+, através de medidas como a criação de um gabinete para combater a discriminação e promover a inclusão destas pessoas.
A campanha que culminou na vitória eleitoral foi a primeira experiência política da actual presidente da Câmara de Génova. Desde 2021, era vice-presidente do Comité Olímpico Italiano. Antes disso foi também atleta olímpica de lançamento do martelo, como descreve emissora italiana RAI. Desde os oito anos que fazia atletismo. Segundo o jornal Il Messaggero, também passou por outras modalidades, como o salto em comprimento, antes de chegar ao lançamento do martelo.
Silvia Salis é uma possível anti-Meloni?
Em entrevista à Bloomberg, citada pela ANSA, Silvia Salis não excluiu a possibilidade de ser candidata nas próximas legislativas italianas, em Setembro de 2027, contra Meloni, caso venha a ser convidada pelos partidos do centro-esquerda. “Se eles me convidarem para concorrer contra Giorgia Meloni? Mentiria se dissesse que não o consideraria”, afirmou. No artigo da Bloomberg, a presidente da Câmara de Génova foi mesmo apelidada de “anti-Meloni”.
A popularidade crescente de Salis torna-se mais evidente num momento em que, em sentido contrário, a governação da primeira-ministra italiana tem sido abalada. Em Março, o PÚBLICO noticiou o chumbo de um referendo sobre a reforma da justiça em Itália. Cerca de 54% dos italianos posicionaram-se do lado do “não”, enquanto o “sim” – que contava com o apoio de Meloni – ficou abaixo dos 46% dos votos.
Depois da derrota, que assumiu, a primeira-ministra demitiu prontamente três membros do seu Governo: a ministra do Turismo, um subsecretário da Justiça e a chefe do gabinete do ministro da Justiça.
No panorama internacional, os últimos dias têm ficado marcados também por um degradar da relação com o Presidente norte-americano. Primeiro, Meloni considerou “inaceitáveis” as críticas que Donald Trump teceu sobre o Papa Leão XIV. Depois, Trump acusou a primeira-ministra italiana de não ter coragem.
Independentemente do que acontecer até às legislativas do próximo ano, Silvia Salis sublinhou, à ANSA, estar satisfeita com o cargo que ocupa, em Génova. Aproveitou para acrescentar algo que “não foi mencionado na entrevista [à Bloomberg]”: “O facto mantém-se de que fui eleita para servir enquanto presidente de Génova por cinco anos.”
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