A ministra do Ambiente e Energia disse que quer falar com o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina (Chega), sobre a construção da dessalinizadora prevista para o concelho, depois de o autarca se ter oposto ao projecto, num vídeo divulgado nas redes sociais.
Maria da Graça Carvalho afirmou que o projecto está pronto para avançar e as obras podem começar no início da semana. Mas antes quer ter uma conversa com Rui Cristina, que classificou a construção da dessalinizadora como um “erro grave”.
O projecto, lançado pelo Governo socialista de António Costa, tem progredido e “tem, neste momento, todas as condições para avançar”, depois de ter obtido Declaração de Impacte Ambiental favorável e de ter sido realizada uma consulta pública que contou com a participação de várias entidades, academia e organizações não-governamentais, sublinhou a ministra, à margem de uma visita as obras de reposição de areia em praias de Loulé.
A dessalinizadora já “tem a autorização para início de obra”, que foi passada na sexta-feira, frisou a ministra, depois de ter sido obtida a Declaração de Conformidade do Projecto de Execução (DECAP). “É um processo irreversível, no sentido de que só ainda não começou porque quero ter a oportunidade de falar mais uma vez com o senhor presidente da Câmara de Albufeira”, afirmou Graça Carvalho, ao ser questionada sobre a inevitabilidade do avanço do projecto, apesar das críticas feitas pelo autarca.
O projecto foi lançado numa altura em que o Algarve enfrentava uma seca extrema, e todos os estudos científicos apontam para que nos próximos anos se verifique uma redução da precipitação e do nível de evaporação na região nos próximos anos, tornando as secas “cada vez mais frequentes”, com “impacto” na agricultura, no turismo, nos espaços verdes e no consumo humano da região, recordou a governante.
“Esta obra é para ser feita”, afirmou a ministra do Ambiente. Dá ao Algarve uma solução que evita a possibilidade de haver restrições ou faltas de abastecimento quando a seca for mais intensa.
Praia da Falésia
A ministra fez estas declarações ao ser confrontada com o vídeo divulgado pelo presidente da Câmara de Albufeira, no qual Rui Cristina alerta para a inexistência de “qualquer acto formal, protocolo, consulta ou decisão” que represente um apoio do município ao projecto.
“E digo sem hesitações, nós somos frontalmente contra. Não estamos a falar de um espaço qualquer, estamos a falar de ecossistemas sensíveis e da Praia da Falésia, que é um dos maiores símbolos da Albufeira, é uma referência mundial e um património natural de valor excepcional”, afirmou Rui Cristina no vídeo, considerando que a obra terá um “impacto profundo” e é “um erro político, ambiental e territorial”.
A Câmara de Albufeira “não pode aceitar sacrificar este património por falta de coragem para avançar com soluções estruturais”, declarou o autarca, que prometeu, caso as obras avancem, tomar “todas as diligências necessárias para defender Albufeira e os albufeirenses”.
Questionada sobre se já tem uma data para se reunir com o presidente da Câmara de Albufeira, a ministra disse que não, mas assegurou que vai entrar em contacto com o autarca.
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