Petróleo mexe ao sabor de Ormuz: preços abrem semana a subir 5%

0
7

A semana começou com os preços do petróleo a avançarem mais de 5% tanto em Nova Iorque como em Londres, as duas principais praças internacionais de negociação. O que se passa no Irão e no Médio Oriente — mais concretamente por causa do estreito de Ormuz, um dos corações da navegação marítima para a matéria-prima — continua a dominar as atenções. A evolução destes preços tem impacto nos preços dos combustíveis nos postos de abastecimento que, no início desta semana, até desceram ligeiramente, a reflectir a evolução da semana anterior.

Os contratos para entrega futura de Brent do mar do Norte, referência para as importações nacionais, estavam a negociar a preços 4,6% mais elevados do que na passada sexta-feira, já perto dos 95 dólares. O crude West Texas Intermediate valorizava mais de 5% para a casa dos 88 dólares. As valorizações vão variando, tendo já estado a ganhar em torno de 4%, mas também mais de 6%.

Ainda que mais distantes dos cem dólares onde já estiveram a negociar nos últimos meses, continuam longe da fatia dos 60 dólares em que os contratos eram transaccionados antes de 28 de Fevereiro, quando os Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão. O gás natural também está a negociar a preços 1% superiores aos de sexta-feira.

Apesar de as praças asiáticas até terem começado a semana a ganhar, desvalorizando o conflito iraniano, as bolsas europeias começaram o dia em queda, algumas, como a espanhola e francesa, a perderem mesmo mais de 1%. O português PSI segue a contrariar, com as valorizações em torno de 1% da EDP, EDP Renováveis e Jerónimo Martins e de mais de 2% da Galp Energia. O sector da energia tem um peso relevante na praça nacional e isso acaba por reflectir-se nas respostas a um conflito que é marcadamente energético.

Depois de um alívio generalizado na semana passada, com a perspectiva de um percurso até à paz, durante o fim-de-semana, houve dois factores determinantes relativos à guerra no Médio Oriente, com repercussões nos mercados financeiros, e que vão em sentido contrário ao sentimento da semana passada: a incerteza ainda domina o caminho para a paz.

Em primeiro lugar, os EUA apreenderam uma embarcação iraniana que tentava furar o seu bloqueio. O Irão prometeu retaliar. Um movimento que trouxe mais tensão para o Médio Oriente e para o receio de que possa haver um fim do cessar-fogo temporário antes do seu efectivo término.

Em segundo lugar, a televisão estatal iraniana, citada pela agência Reuters, noticiou que o Governo de Teerão não vai participar nas novas negociações de paz presenciais para renovar o cessar-fogo ou colocar um fim ao conflito. O bloqueio que existe actualmente à navegação, a retórica bélica e as exigências norte-americanas são as justificações dadas, de acordo com a mesma fonte.

Estes são aspectos que trazem preocupações para a ideia de paz na região, e que trazem incerteza para os mercados e para os preços do petróleo, muito dependentes daquela região. A juntar a tudo isto, o tráfego no estreito de Ormuz continua longe da normalidade apesar das referências do Irão à sua reabertura — e é por ali que normalmente passa cerca de um quinto dos cargueiros com petróleo e gás natural. Os receios sobre a oferta têm impacto directo no preço, que tende a subir com a perspectiva de menor distribuição.

Apesar das incertezas, que normalmente fazem subir os preços de activos considerados de refúgio, por agora o ouro perde valor. A desvalorização do ouro é atribuída, pela agência especializada Bloomberg, às preocupações com o aumento da inflação que podem levar à acção de bancos centrais e consequentes subidas de taxas de juro. E os efeitos não sairão do terreno mesmo com o fim imediato do conflito. Ao início da manhã, o ouro cedia mais de 1,5% para 4815,31 dólares por onça.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com