14 anos, 13 títulos. O Bayern Munique fez o que toda a gente já calculava desde Setembro: título na Liga alemã, domínio avassalador e um bónus: recorde de golos marcados – já são 109 e o recorde estava nos 101 do Bayern em 1971/72.
A equipa de Vincent Kompany bateu neste domingo o Estugarda (4-2) e garantiu um título que há muito era certo. E pode ainda juntar a Taça e a Liga dos Campeões, ganhando tudo como em 2019/20.
Tudo isto começou quando o treinador belga… desceu de divisão. O fracasso com o Burnley seria, em teoria, uma garantia de portas fechadas num “tubarão” – pelo menos a curto prazo.
Mas o Bayern achou, há dois anos, que Kompany tinha o necessário para recolocar o Bayern na rota do título – que tinha fugido para o Bayer Leverkusen.
Para uns, o Bayern a ser campeão nacional é a mera extensão de um plantel demasiado poderoso para aquele contexto. No fundo, como se aquele plantel fizesse, por si só, quase todo o trabalho. Para outros, a prova de que isso não funciona assim é que veio de Leverkusen uma equipa capaz de o provar.
Talvez a verdade esteja a meio caminho entre tudo. Sim, o Bayern é muito mais forte do que todos os rivais. E sim, devemos dar o devido mérito, porque já perdeu competições mesmo quando também era mais forte.
Harry Kane passou a ganhar
A nível colectivo, o Bayern de Kompany tem a facilmente identificável matriz de domínio territorial – algo que ficou bastante claro nos jogos recentes frente ao Real Madrid, nos quais o espaço dado para transições poderia ter dado problemas.
A equipa não tem pudor em envolver mais de meia equipa em processo ofensivo, com os riscos inerentes, mas com as vantagens óbvias: muito volume ofensivo e, sobretudo, muita variabilidade: a equipa tem largura, tem extremos interiores, tem extremos de corredor, tem laterais por dentro e por fora, tem um avançado na área e também em apoios frontais, tem mobilidade e tem até capacidade de explorar o espaço na profundidade, caso ele exista. Em suma, faz um pouco de tudo.
Para isso contribui a ideia de jogo de Kompany, mas também jogadores com características específicas. Primeiro, Harry Kane. O homem que nada ganhava teve de ir para Munique para ser o homem que, afinal, também ganha.
Neste título, o inglês voltou a oferecer a habitual capacidade goleadora, mas também a reconhecida – e muito relevante – virtude no envolvimento no jogo. Dá apoios frontais, recua para construir, segura defensores, lê o jogo e cria engodos para os colegas. E, acima de tudo isto, define quase sempre bem.
Michael Olise confirmou-se como um dos melhores jogadores do mundo, com criatividade, técnica e intensidade brutais. E não é diferente do que se possa dizer de Luis Díaz, cuja verticalidade oferece ao Bayern dois alas de estilos opostos e, mais importante do que isso, complementares.
E só um plantel como este poderia ser campeão com tamanha vantagem apesar da lesão de alguém chamado Jamal Musiala. O médio-ofensivo tem tido alguns problemas físicos – só jogou 11 jogos no campeonato –, mas o Bayern não precisou assim tanto dele.
Com o ocaso forçado de Musiala acabou por chegar-se a frente um rapaz chamado Lennart Karl.
Karl por Musiala
Aos 18 anos, o jogador alemão já tem exibido uma qualidade tremenda na posição atrás do avançado. São menos de 170 centímetros de gente, um pé esquerdo requintado e já bastante capacidade de somar números: nove golos e seis assistências na primeira temporada como sénior a tempo inteiro.
O aparecimento de Karl é o mais relevante entre a juventude, mas Kompany ainda arranjou espaço para jogadores como Bara Ndiaye – cuja história já contámos neste artigo – e David Daiber, jogador que não nasceu em Portugal, mas já actua pelas selecções nacionais jovens.
Também o português Raphael Guereirro teve alguma influência neste campeonato, mesmo que um pouco menor. Dos 16 jogos disputados na Liga alemã só sete foram a titular, estando com cinco golos e duas assistências.
Apesar da utilização fora das opções de primeira linha, o jogador português tem tido utilização frequente e rendimento ao nível habitual. É quase sempre um jogador de meio-campo, apesar da maior experiência a lateral, algo que também já não é novo desde que está na Alemanha.
A única má notícia do fim-de-semana do Bayern foi a lesão de Serge Gnabry. O jogador ganhou um problema no adutor num treino, enquanto Kompany pedia um exercício de penáltis, e provavelmente o jogador não terá sequer nenhum penálti por marcar nos jogos que faltam na Champions e na Taça.
Apesar de não ser pública a extensão da lesão, a imprensa alemã aponta informações de que o jogador não tem apenas em risco o final da época de clubes, mas também a presença no Mundial 2026.
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