O Papa Leão XIV lamentou esta segunda-feira, durante uma missa em Angola, que muitas pessoas no mundo estivessem a ser “exploradas por autoritários e defraudadas pelos ricos”, no mais recente exemplo de um estilo de discurso mais firme que adoptou na sua viagem por quatro países africanos.
O primeiro Papa norte-americano, que tem provocado a irritação do Presidente Donald Trump com os seus comentários mais directos, disse aos fiéis numa missa em Saurimo, no Leste de Angola, perto da fronteira com a República Democrática do Congo, que a violência e a opressão vão contra a mensagem cristã.
“Qualquer forma de opressão, violência, exploração e desonestidade nega a ressurreição de Cristo”, afirmou o pontífice, referindo-se à crença central do cristianismo de que Jesus ressuscitou após ter sido crucificado.
A visita de Leão XIV a Angola marca a terceira etapa de uma ambiciosa viagem de dez dias por África, uma das mais complexas já realizadas por um Papa, com paragens em 11 cidades e localidades de quatro países, percorrendo quase 18.000 km em 18 voos.
Leão XIV, que se tornou líder da Igreja Católica, com 1,4 mil milhões de fiéis, em Maio passado, manteve um perfil relativamente discreto nos primeiros dez meses do seu pontificado, mas tem feito denúncias contundentes contra a guerra e a desigualdade durante esta viagem por África, criticando repetidamente líderes mundiais, sem mencionar nomes.
No sábado, o pontífice de 70 anos denunciou a exploração de recursos naturais em África por “déspotas e tiranos”. Na quinta-feira anterior, afirmou que o mundo estava “a ser devastado por um punhado de tiranos”.
O Papa disse aos jornalistas no domingo que os seus discursos durante a viagem foram escritos semanas antes e não tinham Donald Trump como alvo directo. Leão XIV criticou duramente os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, que começaram a 28 de Fevereiro.
As multidões em Angola, onde 80% da população se identifica como cristã — e cerca de metade como católica —, têm sido entusiastas em relação a Leão, com pessoas a alinhar-se nas ruas ao longo dos seus percursos e a dançar e gritar para o receber.
Dois eventos no domingo, uma missa com grande afluência num campo de terra batida e uma oração num local que foi outrora um centro do tráfico transatlântico de escravos, reuniram cerca de 130 mil pessoas.
Esta segunda-feira é o último dia completo de Leão em Angola. Na terça-feira, segue para a Guiné Equatorial, a última etapa da sua viagem por África.
Lá, fará um discurso aos líderes políticos do país após se reunir com o Presidente Teodoro Obiang, que está no poder desde 1979, sendo o presidente em exercício há mais tempo no mundo.
A Guiné Equatorial é amplamente criticada como um dos países mais repressivos da região. O Governo nega as acusações de abusos de direitos humanos e corrupção.
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