Poeta e ensaísta espanhol José Luis Puerto vence Prémio Eduardo Lourenço 2026

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O poeta, ensaísta e tradutor espanhol José Luis Puerto venceu esta segunda-feira, por unanimidade, o Prémio Eduardo Lourenço 2026, anunciou a Câmara da Guarda.

O júri fundamentou a escolha de José Luis Puerto pelo seu “conhecimento profundo da língua e da cultura portuguesas, evidentes nas suas traduções de poetas portugueses e na integração de elementos culturais ibéricos na sua poesia, trabalho etnográfico e investigação sobre a tradição oral”, revelou o município em comunicado enviado à agência Lusa. A autarquia acrescentou que esta edição ficou marcada pela “elevada qualidade e diversidade” das candidaturas apresentadas.

Instituído em 2004, o galardão, no valor de 7500 euros, distingue personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, cidadania e cooperação ibéricas. O júri da 22.ª edição reuniu-se esta segunda-feira, na sede do Centro de Estudos Ibéricos (CEI), que junta as Universidades de Coimbra e Salamanca, a Câmara da Guarda e o Instituto Politécnico local.

José Luis Puerto sucede ao cardeal e poeta português José Tolentino de Mendonça, distinguido em 2025.

Natural de La Alberca, localidade da província espanhola de Salamanca, José Luis Puerto tem 73 anos, é escritor, ensaísta, etnógrafo, professor e tradutor de poesia portuguesa contemporânea. “Homem de fronteira profundamente enraizado na Serra de França e na Raia Ibérica, é um dos etnógrafos e investigadores mais reconhecidos das tradições ibéricas, paixão que combina com a criação literária, o ensino, o jornalismo e a reflexão ensaística”, descreve o comunicado.

A Câmara da Guarda sublinhou que a sua obra estabelece “uma ponte entre o local e o universal, inspirada no percurso intelectual e cívico de Eduardo Lourenço e na mensagem de grandes escritores portugueses como Eugénio de Andrade, Nuno Júdice, Jorge de Sena e Miguel Torga, que traduziu com profunda sensibilidade e uma linguagem plenamente humana e emocional”.

“Entendendo a Poesia como um ‘território que ilumina e revela o ser humano no mundo’, [José Luis Puerto] desenvolveu uma poética singular, acompanhada de um olhar crítico, solidário, de resistência e dignidade para com os menos afortunados e os esquecidos.”

A sua obra polifónica oferece “uma leitura da tradição com uma voz totalmente nova, que transcende o folclore regional e o reposiciona num horizonte de análise cultural, onde ritos, memórias e tradições são interpretados como respostas humanistas a interrogações universais sobre o tempo, o território, a paisagem e a identidade”.

José Luis Puerto estreou-se em 1982, com o livro de poemas El Tiempo Que Nos Teje. Escreveu depois, entre outras obras líricas, Ritual de la Inocencia (2023), Cristal de Roca (2024) e La Belleza de la Huella (2024).

O júri do Prémio Eduardo Lourenço 2026 foi constituído pelo presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, e pelos vice-reitores das Universidades de Coimbra e de Salamanca, Delfim Leão e Matilde Olarte, respectivamente, e pelos professores Antonio Notario e María Isabel Martín Jiménez, da Universidade Salamanca. Aos membros da direção do CEI juntaram-se Paulo Estudante e Jorge Castilho convidados pela Universidade de Coimbra, e Milagro Martín Clavijo e Juan Antonio Rodríguez Sánchez, convidados pela Universidade de Salamanca.

O Prémio Eduardo Lourenço já foi atribuído à professora catedrática da Universidade de Coimbra Maria Helena da Rocha Pereira (2004), ao jornalista Agustín Remesal (2006), à pianista Maria João Pires (2007) e ao poeta Ángel Campos Pámpano (2008). O professor catedrático de Direito Penal Jorge Figueiredo Dias (2009), os escritores César António Molina (2010) e Mia Couto (2011), bem como o teólogo José María Martín Patino (2012) e os professores e investigadores Jerónimo Pizarro (2013) e Antonio Sáez Delgado foram outros galardoados. Sucederam-lhes os escritores Agustina Bessa-Luís (2015), Luis Sepúlveda (2016), o jornalista e autor Fernando Paulouro das Neves (2017), o escritor Basilio Lousada Castro, (2018) e o professor e investigador Carlos Reis (2019).

O professor Ángel Marcos de Dios (2020), a Fundação José Saramago (2021), o geógrafo e professor Valentín Cabero Diéguez (2022), a escritora Lídia Jorge (2023), a professora e investigadora Isabel Soler e o escritor José Tolentino de Mendonça (2025) são os premiados mais recentes.

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