De cravo ao peito, entre artes e ouriçadas

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Como relaxar

Abrimos a carta com a cama feita na rota do enoturismo. Em Vila Nova de Famalicão conhecemos a Quinta das Pirâmides, um refúgio rural de charme que está a renascer aos poucos, respeitando a história do lugar e acrescentado ao legado a produção de mirtilos e de vinhos premiados. E em Lousada, do mosaico de vinhas aos bosques centenários e monumentos românicos, passamos pela Quinta de Lourosa e outros caminhos renovados.

Sobre heranças que continuam a ganhar significado no presente, e a dias de se celebrarem os 52 anos da Revolução dos Cravos, fomos ver como se anda a semear Abril com arte. Do croché ao bordados e à madeira, entre cravos, pins, pregadeiras, brincos, sacos e bastidores, temos três exemplos de projectos que se dedicam a espalhar os valores da liberdade e da democracia com criatividade.

Por onde andar

Aproveitando a boleia, temos uma série de ideias para celebrar este dia 25 de Abril. No programa há oficinas, música, passeios, conversas, desfiles e muitas outras actividades, para desfiar de cravo ao peito.

Nos palcos, a ideia é ir Verificando Se Você É Humano com Ricardo Araújo Pereira (um dos destaques da semana), reconhecer um Hitler quando o vemos com a ajuda da companhia Assédio e espreitar as exposições Arte & Moda da Gulbenkian, Por Amor à Cidade de Lisboa e Lucio Costa Arquivo em Matosinhos.

A notícia da reabertura do Teleférico do Funchal, que traz novidades como as cabinas de chão de vidro (um desafio para quem tem vertigens), e um passeio no Reino Unido pelos dez sítios que marcaram a vida de Isabel II, quando se assinala o centenário do nascimento da rainha, completam o cartaz.

O que comer

Vai uma ouriçada à moda da Ericeira? Apresentado como o “caviar do Atlântico”, o ouriço-do-mar tem direito a um festival em nome próprio que vai “do mercado à mesa, da ciência à preservação”. A próxima edição do festim está a chegar ao prato e é uma boa desculpa para se fazer ao caminho.

Cabrito e chanfana? Também temos, respectivamente, na Lousã e em Miranda do Corvo, com receitas especiais incluídas para quem quiser aventurar-se na cozinha.

A “cozinha do carvão” que Alexandra Prado Coelho provou nas Astúrias, uma história feita de “mineiros, guerrilheiros, sidra e favada”; e um pequeno roteiro de restaurantes em Lisboa que andam à volta das cozinhas asiáticas e atestam que os Vinhos Verdes se dão bem com as combinações dessas paragens, são outras notas a considerar no cardápio.

Vale a pena ainda saber o que anda a fazer o influente chef catalão Ferran Adrià, que voltou às cozinhas, mas não para cozinhar, e com isso está a redefinir o próprio conceito de alta cozinha. E, já agora, o que pensa o historiador espanhol José Berasaluce sobre a figura do chef-herói.

Contas feitas, está na hora de acabar com as modas e levar Portugal e a Dieta Atlântica à mesa todos os dias.

O que beber

Na garrafeira apresentamos vinhos para a esplanada, para piqueniques e para cabrito assado, seleccionados por Paulo Sousa (Casa da Viúva) e ideais para dar as boas-vindas à Primavera. Mas também abrimos a prova aos brancos de Basto que José Augusto Moreira avaliou e às considerações que fez sobre “um branco de encher a alma“.

À pergunta “qual é a diferença entre aguardentes vínicas e bagaceiras?”, o Consultório de Vinhos ensaia a resposta aqui.

O que ver

“Braços com larvas, pernas amputadas, pénis dolorosamente erectos, cesarianas de urgência, bebés roxos e vísceras sortidas”. Tudo isto faz parte da receita que entra no serviço de urgência hospitalar de The Pitt, que chegou ao final da segunda temporada. “A melhor televisão de (des)conforto”, diz Joana Amaral Cardoso, que vai para o intervalo com um aviso do protagonista, Noah Wyle: “Robby nunca foi o vosso papá” (entendedores entenderão).

Isto Não É Um Misterioso Assassinato, uma minissérie belga situada numa herdade rural britânica nos anos 1930, e Margo’s Got Money Troubles, “ou o OnlyFans numa série sobre a maternidade”, com Elle Fanning, Michelle Pfeiffer e Nicole Kidman, são outras das propostas no pequeno ecrã.

Aos cinemas chegam A Rapariga Que Sabia Demais, drama assinado por Frédéric Hambalek, que reflecte sobre privacidade, confiança e a fragilidade das relações, e Projecto Global, realizado por Ivo M. Ferreira e apontado ao Portugal dos anos 1980 e às Forças Populares 25 de Abril (FP-25), entre outros filmes.

O que ler

Em Elena Sabe, Claudia Piñeiro faz do corpo doente o centro da narrativa. Um romance que converte “a investigação de uma morte numa reflexão sobre tempo e maternidade”, assim nos conta Isabel Lucas, que entrevistou a autora que é considerada uma das vozes mais singulares da ficção argentina contemporânea.

O livro faz parte das dicas literárias da semana, juntamente com O Futuro da Verdade, do poeta do real Werner Herzog, e A Península das Casas Vazias, em que David Uclés, escritor fenómeno em Espanha que tem Saramago como inspiração, mergulha na Guerra Civil de Espanha.

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