O Sporting está de rastos. Isso é indesmentível e está bem presente na linguagem corporal daqueles que têm estado todos os minutos de todas as batalhas. Mesmo de rastos, os “leões” foram nesta quarta-feira ao Dragão arrancar um empate (0-0) com o FC Porto que lhe valeu um lugar na final da Taça de Portugal. O “dragão” estava mais fresco, mas teve poucas ideias para marcar golos e dar a volta à derrota por 1-0 na primeira mão. E o Sporting, a perder muita gente pelo caminho (Inácio e Hjulmand), lá conseguiu o bilhete para o Jamor.
FC Porto e Sporting são do mais diferente que pode haver no futebol. E é uma diferença que vai para lá dos planos táctico e estratégico – são estilos diferentes. O “dragão” é uma equipa de pressão e ataques rápidos, de marcações ao homem, de encurtar espaços em milissegundos – não é de ficar muito tempo com a bola, mas quer ficar com ela rapidamente e empurrá-la para a baliza contrária. O “leão” é uma equipa com paciência, de estrutura zonal, de posse e de passe curto, de variações constantes – gosta de pensar, circular e encontrar espaços.
As diferenças ficaram marcadas ao longo da época e expostas cara a cara nos confrontos directos. O quarto da época, que decidia uma final, não iria ser excepção. Farioli montou a equipa para ser o espelho dessa filosofia, metendo Pablo Rosário, Froholdt e Gabri para os duelos do meio-campo, e um avançado que não marca golos (Gül) para moer os centrais do Sporting. E ajuda ter extremos intensos como William e Pietuszewski, que também defendem como laterais.
Já Rui Borges, sem muito por onde mudar e refrescar a equipa, só mudou um no “onze” em relação ao derby do domingo passado – Geovany Quenda foi a jogo em vez de Pedro Gonçalves. Era a esperança do técnico “leonino” em ter alguém que estivesse menos cansado do que os outros e que, ao mesmo tempo, conseguisse criar desequilíbrios no lado esquerdo do ataque.
Esperava-se que o FC Porto, em desvantagem na eliminatória, entrasse em modo super-pressão. Foi o que aconteceu, mas o Sporting conseguiu absorver bem a tentativa de sufoco, mas com uma perda relevante. Aos 10’, Gonçalo Inácio saiu lesionado, após um lance com William Gomes – Debast aqueceu uns segundos e entrou para o seu lugar. É verdade que o belga também tem enorme capacidade de passe e visão de jogo, mas o Sporting acabava de perder um dos seus principais lançadores de ataque.
Durante os primeiros 25 minutos, foi praticamente um jogo sem balizas. O FC Porto foi oscilando entre os momentos de pressão e de contenção, o Sporting queria ter a bola para si e pensar no que podia fazer. Era pelo lado direito, onde Geny Catamo criava alguns problemas a Kiwior, adaptado a lateral.
Foi por aqui que os “leões” criaram o primeiro desequilíbrio aos 26’, Trincão viu bem a desmarcação de Geny, o moçambicano esperou por companhia e fez o cruzamento na direcção de Quenda – o futuro jogador do Chelsea falhou o remate. Pouco depois, aos 31’, foi Geny a ensaiar o remate, depois de uma posse de bola prolongada, mas o corpo de Bednarek estava entre ele e a baliza.
Para uma equipa que estava atrás na eliminatória, o FC Porto estava com pouca chegada à baliza de Rui Silva. Só nos últimos minutos da primeira parte é que isso aconteceu com perigo relevante. Aos 42’, uma excelente triangulação do ataque portista deixou Gabri Veiga em posição de tiro – o remate levava boa direcção, mas bateu nas costas de Debast e a bola saiu dali. Mesmo em cima do intervalo, Rosário tentou um remate de longa distância que não saiu longe da baliza sportinguista.
Do que se viu na primeira parte, era claro que o FC Porto tinha mais pernas para correr atrás da bola, mas faltava-lhe critério e criatividade, duas coisas que o Sporting tinha de sobra – mas faltava-lhe pernas. Os primeiros minutos da segunda parte iriam mostrar isto mesmo. O “dragão” estava intenso, mas pouco esclarecido, o “leão” só queria que o tempo passasse depressa. E aos 50’, mais uma baixa importante: Hjulmand saiu lesionado. Mais um problema para Rui Borges, que ficava sem a liderança e omnipresença do seu capitão.
Morita passava a ser o 6, Bragança entrava para jogar ao seu lado, com menos rotação que o dinamarquês, mas com capacidade para segurar a bola. E o Sporting precisava de ter bola para respirar. A partir do banco, Farioli também fez as suas alterações. Entrou Varela num primeiro momento (saiu Thiago Silva), com Rosário a recuar para o eixo da defesa. Com o passar dos minutos, foram a jogo Moffi, Mora e Fofana, mas o FC Porto não ganhou poder de fogo.
Rui Borges também tentou refrescar como podia, com Mangas, Pedro Gonçalves e o regressado Luís Guilherme, todos mais com missão defensiva do que com liberdade para atacar. O cerco portista intensificou-se, mas a baliza “leonina” nunca esteve verdadeiramente em perigo. Os minutos foram passando sem que nada acontecesse para alterar o resultado.
E aos 89′, o FC Porto foi traído pela sua própria intensidade. A tentar quebrar um contra-ataque de Suárez, Varela entrou de sola para a frente sobre os pés do colombiano e o árbitro, aconselhado pelo VAR, foi ver as imagens – trocou o cartão amarelo que havia mostrado ao argentino por um vermelho.
O FC Porto iria jogar até ao fim com dez, o Sporting iria ter mais espaço para respirar. No momento do “tudo por tudo” portista, já com Bednarek a ponta-de-lança, foram os “leões” a terem a melhor oportunidade, com Luís Guilherme a ser lançado em velocidade, mas perdeu no duelo com Diogo Costa. E, no último lance do jogo, num canto, Moffi obrigou Rui Silva a uma grande defesa. O empate manteve-se e o Sporting, depois de tanto resistir, conseguiu finalmente descansar.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com







