José Luís Carneiro mostra-se “firmemente convencido” de que vai disputar legislativas enquanto líder do PS, e que será primeiro-ministro, e recusa ter um opositor interno porque não vê divergências de fundo, recebendo Pedro Nuno Santos “de braços abertos”. Em entrevista à agência Lusa, o secretário-geral do PS comenta o regresso do antecessor ao Parlamento, responde à recente recusa do ex-ministro Duarte Cordeiro para integrar os órgãos do partido e afasta a ideia de que esteja a surgir uma oposição interna não assumida que possa vir a disputar a sua liderança perto de umas eleições.
Sobre o regresso de Pedro Nuno Santos, que reassumiu quarta-feira o mandato de deputado, Carneiro afasta qualquer desconforto e revela que conversou com o ex-líder do PS na semana passada. “Ele tem um mandato, tem uma legitimidade. E mais, espero que ele se sinta bem”, afirma, esperando que as suas “capacidades e experiência política sejam devidamente valorizadas no trabalho parlamentar”.
Concretamente sobre Duarte Cordeiro, Carneiro manifesta “a maior consideração” pelos seus camaradas que “têm manifestado as suas divergências pontuais”.
Carneiro considera que “estruturalmente não há divergências de significado na forma” como tem feito oposição, aproveitando para se referir às recentes sondagens que mostram que, “em dez meses, o PS subiu sete pontos percentuais na avaliação” dos portugueses.
Questionado sobre se via o antigo ministro dos governos de Costa como um opositor interno, o líder do PS foi peremptório: “De modo algum, de forma alguma”. Duarte Cordeiro disse no domingo à Lusa que recusou o convite do secretário-geral socialista para integrar a Comissão Política Nacional do PS por não ter visto correspondido “um conjunto de preocupações”, ficando assim “menos comprometido com a actual liderança”.
“Todo o gosto” em acolher Centeno como militante
Carneiro revelou também ter convidado Mário Centeno a integrar o PS, elogiando-o como um dos quadros mais qualificados do país e considerando-o bem-vindo caso aceite. “Se ele quiser dar esse passo, nós também temos todo gosto em acolhê-lo”, declarou. O líder do PS considera que Centeno é “um quadro dos mais qualificados” que há em Portugal e “que tem de ser valorizado”, lembrando que esteve numa reunião recente do Conselho Estratégico do PS.
Já sobre o Presidente da República, António José Seguro, o secretário-geral do PS assegura que não houve “qualquer afastamento no plano pessoal ou no plano da amizade, que se conserva”. “Mas eu sei colocar-me no meu lugar de líder de um partido de oposição e tenho também o conhecimento suficiente da vida entre as instituições para respeitar o princípio da separação de poderes e de respeitar a alta magistratura de influência que tem o Presidente da República”, sublinha.
PS com dúvidas sobre alterações ao visto prévio
Sobre a proposta do Governo de isentar de visto do Tribunal de Contas contratos até 10 milhões de euros, no âmbito da reforma do Estado, que na semana passada o executivo apresentou aos partidos com assento parlamentar, Carneiro disse ainda não ter conversado com o presidente do grupo parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, sobre o tema, que ainda não tem proposta formal. “Parece-me que os valores que apareceram no espaço público são muito elevados”, apontou. Para José Luís Carneiro, é importante ouvir “quem tem tido responsabilidades”, nomeadamente na administração local.
“Estabilidade deve ser uma conquista de Montenegro”
Carneiro disse também que a “estabilidade deve ser uma conquista” do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e promete reciprocidade ao Governo no tratamento que der ao PS, que recusa ver provocado ou desconsiderado. Na perspectiva de Carneiro, essa estabilidade “depende mais” de Luís Montenegro “do que propriamente das oposições”.
“Consoante o Governo actuar, assim actuará também o PS. Ou seja, se o Governo provoca o PS, se desconsidera o PS, o que é que poderá ter como resposta? A mesma desconsideração em relação às pontes de diálogo que venham a ser estabelecidas”, enfatiza.
Sobre o Orçamento do Estado para 2027, Carneiro refere que ainda se está longe e que é preciso conhecer a proposta do Governo, além de ter que ouvir “no momento próprio, os órgãos do PS”. “Vamos aguardar por aquilo que é a posição do próprio Governo. É cedo ainda. Cada coisa a seu tempo”, aponta. Ressalvando que orçamento “não é o alfa nem o ómega” da política, Carneiro recorre a Jorge Sampaio e à sua frase de que “há mais vida para além do Orçamento”.
“O Orçamento é um instrumento que pode não passar numa primeira vez e pode voltar uma segunda vez, e pode depois ser viabilizado. Mas obriga um esforço negocial do Governo com o próprio Parlamento”, exemplifica.
Desde que lidera o partido, o socialista tem recorrido ao método de enviar cartas ao primeiro-ministro sobre diferentes temas, explicando que foi uma forma que encontrou “para conseguir furar essa barreira comunicacional” sobre as propostas do partido. Carneiro decreta que “esse método terminou” e antecipa que as propostas do PS vão fazer-se no Parlamento ou nas conferências de imprensa, já que “não houve sequer a educação de responder por escrito a essas cartas, como, aliás, exigiria o bom-tom institucional”.
Carneiro acusa Governo de “asfixia democrática”
Por outro lado, o líder socialista acusou o Governo de “asfixia democrática”, criando “instrumentos de distracção da opinião pública”, não respondendo a jornalistas e mexendo na “composição das estruturas de administração dos órgãos de comunicação social”, como a Lusa.
Segundo o líder socialista, o Governo está a procurar “criar instrumentos de distracção da opinião pública”, como a “questões dos estrangeiros”, das burcas, ou a lei da nacionalidade, temas “que não passam sequer pela cabeça das pessoas no seu dia-a-dia”, para “manter o espaço mediático ocupado”. “O Governo está a tentar limitar o espaço mediático”, declarou.
“Fazem conferências de imprensa e não respondem às perguntas dos jornalistas. É o primeiro sintoma. Depois, contratam uma empresa que há poucos dias teve dificuldades em Inglaterra, porque afinal essa empresa em Inglaterra estava a controlar as oposições e a controlar os jornalistas”, afirmou, numa referência à ferramenta NewsWhip, que o Governo recusou que sirva para classificar e monitorizar jornalistas e que classifica de clipping moderno”.
Revisão constitucional
Sobre uma possível revisão da Constituição realizada à direita, durante a actual legislatura, José Luís Carneiro insistiu na ideia de que a lei fundamental não é um entrave ao desenvolvimento do país.
“Quando a direita entender trazer essa proposta, que a traga. Nós olharemos para ela, e também, naturalmente, como já estava previsto no seguimento da pandemia, olharemos para os termos em que a proposta é feita, avaliaremos os termos em que é preciso fazer um ou outro ajustamento”, acrescentou, numa referência a questões de emergência sanitária que possam exigir mudanças na Constituição.
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