Comandantes ucranianos demitidos depois de soldados passarem dias sem água e comida

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O Ministério da Defesa da Ucrânia demitiu dois altos comandantes depois de um grupo de soldados ter sido deixado sem comida e sem água durante vários dias, por vezes semanas, numa zona perto de Kupyansk, na região de Kharkiv, no Nordeste da Ucrânia. A demissão dos dois comandantes foi anunciada pouco depois de a mulher de um dos soldados, Anastasiia Silchuk, divulgar fotografias dos militares, visivelmente desnutridos e pálidos, nas redes sociais.

Segundo os familiares, os soldados passaram oito meses a defender uma faixa de território cada vez menor na margem esquerda do rio Oskil, perto da cidade de Kupiansk. O Estado-Maior da Ucrânia reconheceu a existência de problemas logísticos e afirmou que as entregas de comida, água e medicamentos só eram possíveis por via aérea, devido à localização próxima das linhas inimigas.

“Quando os rapazes chegaram à linha da frente, pesavam entre 80 e 90 quilos. Mas agora pesam cerca de 50 quilos”, escreveu Silchuk. Numa ocasião, os soldados não tiveram comida ou água durante dez dias, tendo sido obrigados a beber água da chuva e a derreter neve para sobreviver. “O período mais longo que ficaram sem comida foi de 17 dias. Ninguém os ouviu no rádio, ou talvez ninguém quisesse ouvi-los. O meu marido gritava e implorava, dizia que não havia comida nem água.”

A filha de um dos ex-militares da mesma brigada também denunciou no jornal online Ukrainska Pravda que existe uma falta sistemática de alimentos, água potável e gasolina desde o final de Agosto de 2025 nas posições na linha da frente.

Um porta-voz do Estado-Maior da Ucrânia disse ao The Guardian que, pela localização da zona onde os soldados estão abrigados, todas as entregas tinham de ser feitas por drone, o que apresenta riscos. “Os russos prestam muita atenção às entregas de alimentos, munição e combustível. Interceptam e abatem o máximo possível. Às vezes, não estão interessados no nosso equipamento militar, mas sim nas questões de logística.”

Silchuk afirmou ao The Guardian que o problema foi resolvido depois da sua denúncia e que os soldados “comeram mais nos últimos dias do que nos últimos oito meses”. “Há um novo comandante”, publicou a ucraniana na rede social Threads, onde tem dado novidades sobre a situação do seu marido e dos outros militares.

O comando militar da Ucrânia também afirmou ter iniciado uma investigação. “Cabe ressaltar que, recentemente, outro carregamento de alimentos foi entregue à posição da 14.ª Brigada de Infantaria. Caso as condições sejam favoráveis, será realizada uma retirada imediata dos nossos soldados”, acrescentou.

As Forças Armadas da Ucrânia combatem uma invasão da Rússia desde Fevereiro de 2022, numa guerra que causou um número por determinar de baixas nos dois exércitos, bem como significativas vítimas civis, mas o chefe da diplomacia da Ucrânia descreveu a situação actual na frente de combate como a mais favorável desde há um ano, graças aos drones e a uma defesa aérea eficaz. “A nossa posição no campo de batalha é a mais forte, ou a mais sólida, do que em qualquer momento do último ano”, afirmou Andrii Sybiha nesta sexta-feira.

O Exército russo não registou praticamente nenhum ganho territorial em Março, segundo uma análise da agência de notícias francesa AFP de dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

Esta falta de ganho territorial num mês por parte das forças da Rússia acontece pela primeira vez em dois anos e meio. “Minimizámos a vantagem russa em efectivos graças à utilização de drones”, afirmou Sybiha à comunicação social, incluindo a AFP.

Sybiha disse que o Exército ucraniano consegue agora abater até 90% dos drones e mísseis russos que visam cidades ucranianas. O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano referiu que a melhoria da situação no campo de batalha permite a Kiev reforçar a posição em negociações.

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