Músico luso-guineense radicado na Inglaterra anuncia lançamento de novo trabalho

0
3

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.

Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

O músico Rivera, nascido em Lisboa, criado entre Portugal e Guiné-Bissau e atualmente radicado na Inglaterra, lançou há duas semanas, nas plataformas digitais, o single Conecta, que antecipa o EP 29, previsto para o final de maio e que terá quatro canções. Admirador da música popular brasileira (MPB) e com planos de se apresentar no Brasil, o artista inicia uma nova fase na carreira ao revisitar influências que marcaram a sua trajetória.

A nova música representa um momento de reencontro artístico, segundo ele. Produzida por LBeatz, Conecta sucede o single Suave, que ultrapassou 200 mil reproduções nas plataformas digitais. O lançamento resgata a estética do Ghetto Zouk, gênero que ganhou força na diáspora africana a partir do final dos anos 1990. “Quero trazer de volta o Ghetto Zouk com verdade. Cresci ouvindo esses sons e eles fazem parte de quem sou. Conecta é um regresso às origens, mas com uma visão atual e pessoal”.

Influenciado por nomes como os cabo-verdianos Nelson Freitas e Johnny Ramos, Rivera aposta na atualização do gênero, preservando suas características originais e adaptando-as aos nossos dias. Com mais de uma década de percurso musical, o artista já passou por palcos como o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e casas de espetáculo no Reino Unido, incluindo o O2 Indigo, OVO Arena Wembley, Clapham Grand e Manchester Academy Arena.

A partir dessa nova etapa, Rivera aposta em maturidade estética e autenticidade, trazendo uma releitura moderna de sonoridades que marcaram gerações da música urbana lusófona. As origens do artista dialogam com a imersão entre ritmos e culturas que moldaram a sua identidade artística. Essa dualidade reflete-se na sua música, que cruza influências africanas com elementos urbanos europeus.

“A Guiné para mim é tudo, imagina uma jóia preciosa no meio do planeta. É o que representa para mim, sou muito apegado às minhas raízes e à minha cultura; em casa comunicamos em crioulo, comemos a nossa comida, etc… é quase como estar onipresente. Artisticamente, em termos rítmicos, a forma como abordo os meus temas tem aquele toque específico da Guiné, aquela africanidade. O meu tio-avô também, que é compositor de uma banda histórica no nosso país, inspirou-me imenso”, informa o artista.

Diversidade cultural e fonte de inspiração

Ele diz ainda que meio que sempre quis dar continuidade ao legado familiar e informa que também tem o suporte da diversidade cultural de Guiné, um país com mais de 20 etnias, onde há muito para buscar artisticamente e uma fonte de inspiração. O ghetto zouk, ele afirma, sempre esteve presente na sua minha vida, ou em parte dela. Ele conta que trata-se de um gênero que mistura R&B e Zouk, que teve origem nos Países Baixos nos anos de 1990.

Por outro lado, Rivera relembra que teve a oportunidade de conhecer alguns dos pioneiros do gênero. Dentre outros nomes, cita justamente Nelson Freitas e Johnny Ramos. E acredita que dos anos de 1990 até hoje, a forma como se faz kizomba e zouk tem sempre um toque de ghetto zouk.

“Tecnicamente falando, a forma como se posicionam os drums (baterias) nos instrumentais tem muito de ghetto zouk. Mesmo aquilo que chamam afrobeats hoje em dia, que se tornou um fenômeno mundial, tem muita influência do ghetto zouk”, destaca o músico.

Paciência e resiliência

Entusiasta de dance e house music na adolescência, ele começou a percorrer a noite de Lisboa em uma época em que a cena era completamente dominada pelo house. Na época, um amigo tinha um equipamento e com esse amigo aprendeu a tocar. E daí em diante não parou mais.

“Eu tenho como princípio que, ao fazer algo, devo fazê-lo da melhor forma possível. Foi um percurso crescente: tive oportunidade de tocar em algumas das casas mais importantes de afro-house em Londres. O maior aprendizado que o house me deu foi a paciência e a resiliência. As coisas boas demoram a acontecer. Sendo um mercado competitivo, a paciência é uma virtude”.

Ele conta ainda que houve um movimento que se chama Afro Swing, surgido em 2014 e que teve o seu auge entre 2016-2019: uma mistura de Afrobeats com a cultura urbana londrina, com forte impacto na forma como faz música hoje, com melodias coloridas e com ritmo.

Ele detalha que é um gênero que está meio adormecido, devido ao destaque que a música pop tem tido, mas é algo que ainda ouve com frequência. Também gosta muito do soul-pop que se faz na Inglaterra e de artistas como Cleo Sol, Olivia Dean e Sade.

Influência da MPB

Sobre o Brasil, ele diz que ainda não se apresentou no país, mas acredita que isso deve acontecer. “As minhas maiores influências são Jorge Ben Jor e Seu Jorge. A música popular brasileira é, para mim, top 3 em termos de diversidade e riqueza musical; há muito por onde explorar, muito mesmo”, afirma Rivera.

E complementa: “Um episódio engraçado foi que uma das minhas músicas favoritas é Lo que será, do Willie Colón, curiosamente foi escrita por Chico Buarque. Identifiquei-me tanto com a letra que fui procurar os créditos e tive essa descoberta. Acredito que haja milhões de casos desses, o que atesta a importância da MPB no mundo”.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com