O lucro da Galp Energia aumentou 41% nos primeiros três meses do ano em relação ao mesmo período de 2025, conseguindo ir buscar mais de dois terços dos seus resultados à área de produção e exploração petrolífera, que beneficiou directamente do aumento dos preços do petróleo nos mercados internacionais. Os resultados não foram ainda maiores porque as contas da empresa portuguesa sofreram, na área de refinação, com os problemas causados pelo comboio de tempestades que atingiu Portugal no início do ano, limitando os ganhos. E o ramo das renováveis deu prejuízo.
De acordo com as contas divulgadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta segunda-feira, 27 de Abril, o resultado ajustado a custo de substituição (RCA), o indicador utilizado para medir a rentabilidade da petrolífera, não tinha chegado a 200 milhões nem no primeiro trimestre de 2025, nem nos últimos meses, tendo-se fixado em 272 milhões entre Janeiro e Março.
“Esta solidez permitiu-nos prosseguir o desenvolvimento dos nossos projectos, mas também assegurar o abastecimento energético do país em momentos críticos como as tempestades do início do ano ou a disrupção das cadeias de abastecimento com o bloqueio do estreito de Ormuz”, assinala a citação de Maria João Carioca, co-presidente executiva da Galp ao lado de João Diogo Marques, no comunicado emitido às redacções.
Produção e exploração
A organização da Galp divide-a em quatro operações (produção e exploração, refinação, comercialização e renováveis), sendo que a produção e exploração é o principal ramo e aquele que mais beneficiou no primeiro trimestre do ambiente internacional que foi causado pelo ataque ao Irão pelos Estados Unidos da América e Israel e pela consequente retaliação que afectou o estreito de Ormuz, local de passagem para 20% do tráfego marítimo da matéria-prima e do gás natural.
O resultado operacional desta área somou 78% em relação ao trimestre homólogo, totalizando 685 milhões de euros. É 73% do resultado operacional de toda a Galp no mesmo período (que chegou aos 943 milhões).
A ajudar esteve o arranque da operação de um poço no Brasil (chamado Bacalhau), que permitiu aumentar a produção, tendo também beneficiado do aumento da cotação média de Brent (que foi de 81,1 dólares por barril, porque só num dos meses é que os preços já tinham disparado com Ormuz).
Tempestades e refinação
A margem de refinação melhorou, e muito, no primeiro trimestre, muito por causa dos desenvolvimentos no Médio Oriente, só que Portugal contou com um elemento que prejudicou, também em muito, as contas desta área de refinação: “a capacidade de processamento do sistema de refinação reflectiu os obstáculos operacionais causados pelos eventos meteorológicos severos que se viveram em Portugal entre Janeiro e Fevereiro”. Ficou dificultado o aprovisionamento do crude pelo mar com o comboio de tempestades.
Além disso, os preços nesta área não reflectem logo todos os efeitos no imediato, há um período de adaptação. E nem a negociação de contratos de gás natural e gás natural liquefeito, que somou 42% em termos homólogos, compensou em larga medida os números, com o resultado operacional a ceder 9%.
Aviação sustenta comercialização
A Galp está, neste momento, a negociar com a espanhola Moeve a junção da área de refinação numa única empresa conjunta, o mesmo que está a acontecer na área de comercialização de combustíveis (“um acordo esperado ainda para meados deste ano”, antecipa Maria João Carioca).
Esta área de comercialização melhorou no primeiro trimestre do ano, muito pelo contributo de Espanha. O resultado operacional ganhou 37%, com “maiores volumes vendidos na Península Ibérica, particularmente no segmento da aviação em Portugal e no sector do retalho em Espanha”, segundo o comunicado.
O sector da aviação é um dos que mais está a sofrer com a subida de preços dos combustíveis e, no caso da Galp, até teve de procurar alternativas para assegurar a oferta aos aeroportos nacionais.
Muita chuva prejudica Galp
A área de renováveis da petrolífera portuguesa, ainda uma presença tímida nos resultados, cedeu nos primeiros três meses do ano, passando para 2 milhões de euros de perdas, comparáveis aos resultados operacionais de 10 milhões no mesmo período de 2025.
O facto de ter chovido em grande medida em Portugal e Espanha neste período deu força à energia hídrica, penalizando as outras energias renováveis em que a Galp está presente (solar, sobretudo, mas estando a apostar no eólico).
As contas trimestrais da empresa – que tem a Amorim Energia como principal accionista – animaram os investidores, com as acções a iniciaram a sessão de segunda-feira a valorizarem-se mais de 2% na Bolsa de Lisboa.
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