Com o processo negocial num impasse e tendo em conta que as principais divergências entre Estados Unidos e Irão estarão relacionadas com o futuro do programa nuclear iraniano, Teerão enviou a Washington uma nova proposta para um acordo de paz que sugere que as discussões sobre a questão do nuclear sejam adiadas para uma fase subsequente do processo.
Segundo o site Axios, que cita duas fontes norte-americanas com conhecimento sobre as negociações, a proposta iraniana, enviada para os EUA através dos mediadores paquistaneses, assume como missão prioritária a resolução da crise no estreito de Ormuz, o levantamento do bloqueio da Marinha dos EUA e a abertura da via marítima à navegação comercial.
Teerão acredita que um compromisso para a reabertura do estreito é facilmente e rapidamente alcançável. Cumprido esse objectivo e alcançado um acordo com a Administração Trump para prolongar o cessar-fogo ou o fim definitivo das hostilidades, as partes poderiam, então, estabelecer negociações especificamente sobre questões nucleares, propõe.
O Axios diz que a Casa Branca já recebeu a proposta e, citando três responsáveis norte-americanos, noticia que o Presidente vai reunir-se esta segunda-feira com membros do Pentágono e do Departamento de Estado para analisar os últimos desenvolvimentos do processo negocial, depois de dois dias em que o foco esteve nas investigações ao atirador que pretendia atingir Donald Trump no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no sábado à noite.
A insistência de Trump e de outros membros do Governo com a necessidade de “impedir” o Irão “construir uma bomba nuclear” torna, no entanto, difícil imaginar um cenário em que Washington aceita o adiamento das conversas sobre o programa atómico iraniano, que, segundo Teerão, tem fins exclusivamente civis e não militares.
O Governo norte-americano defende, porém, que o Irão deve suspender o enriquecimento de urânio durante pelo menos dez anos e exige retirar do país todo o urânio enriquecido acumulado e armazenado.
“Eles sabem o que tem de constar no acordo. É muito simples: não podem obter uma arma nuclear; caso contrário, não há motivo para nos reunirmos”, afirmou Trump, no domingo, à Fox News, voltando a defender os méritos do bloqueio naval norte-americano ao estreito de Ormuz, prevendo que a “conduta” de exportação de petróleo do Irão ia “implodir” daí a “três dias”.
O Presidente dos EUA tem demonstrado pouca paciência para as propostas iranianas. Apesar de Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, se ter deslocado no sábado até Islamabad, palco das primeiras negociações directas entre Washington e Teerão desde 1979, Trump ordenou o cancelamento da viagem dos enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, à capital do Paquistão.
“Não vejo sentido em mandá-los numa viagem de avião de 18 horas tendo em conta a situação actual. É demasiado tempo. Podemos resolver isto igualmente bem por telefone. Os iranianos podem ligar-nos, se quiserem. Não vamos viajar só para ficar sentados a falar sobre nada”, disse no sábado, insistindo que os EUA “têm todas as cartas”.
MNE do Irão na Rússia
Depois da viagem ao Paquistão, no sábado, e a Omã, no domingo, Araghchi encontra-se nesta segunda-feira com Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa, em Moscovo. Aliada histórica do Irão, a Rússia tem assumido, ainda assim, um papel diplomático bastante discreto desde que os EUA e Israel atacaram o território iraniano, há praticamente dois meses.
Focada na guerra que está a travar na Ucrânia, a Rússia terá partilhado informações com os serviços secretos iranianos sobre alvos estratégicos norte-americanos no Médio Oriente, mas tem deixado outras potências, como o Paquistão, a Turquia, o Egipto e até a China assumirem a iniciativa das operações diplomáticas tendo em vista o fim do conflito entre os EUA e o Irão.
Numa publicação na rede social X, Kazem Jalali, embaixador da República Islâmica em Moscovo, assegurou, ainda assim, que o encontro entre Putin e o chefe da diplomacia iraniana é uma “continuação da jihad diplomática” destinada a “promover os interesses do país perante as ameaças externas”.
“O Irão e a Rússia estão unidos numa frente comum na campanha das forças totalitárias mundiais contra os países independentes e que procuram a justiça, assim como contra os países que aspiram a um mundo livre do unilateralismo e do domínio ocidental”, escreveu o diplomata, citado pela Reuters.
Enquanto isso, noutra frente da guerra no Médio Oriente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Líbano declarou esta segunda-feira que os ataques levados a cabo, na véspera, por Israel, no Sul do país, mataram pelo menos 14 pessoas.
Trata-se do dia mais mortífero desde o acordo para o prolongamento do cessar-fogo entre Israel e o grupo islamista xiita Hezbollah, aliado do Irão, há mais de uma semana.
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