Menos de três meses bastaram para concluir a recuperação do canal de rega do Mondego, cumprindo à risca a promessa da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Fevereiro passado: a 1 de Maio a obra estaria pronta. O registo incomum eleva o facto à categoria de notícia e destaque. “Estamos muito felizes, pela obra em si, mas também porque é raro isto acontecer”, disse ao PÚBLICO a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, no dia em que recebeu da APA a confirmação de que a empreitada está concluída, “decorrendo neste momento os trabalhos finais de ajuste e acabamento”. Mas desde esta terça-feira que a água corre no canal condutor geral da margem direita do rio Mondego, permitindo o abastecimento aos blocos de rega do Bolão e São Martinho, salvaguardando assim a campanha de rega na região.
O presidente da APA, Pimenta Machado, também admite que “não é normal cumprirmos assim os prazos em Portugal”, mas desta vez a promessa que fez, ao lado da ministra do Ambiente, depois das tempestades que levaram o Mondego a rebentar o dique por baixo da A1, vai mesmo ser cumprida. “Sabemos bem o que passámos com este comboio de tempestades. Foi um ano excepcional, que causou muitos danos, mas apesar de tudo fez-se uma boa gestão. E havia agora uma fase muito importante que era esta: aprender com a tempestade e recuperar o que foi danificado”, afirma o presidente da APA, referindo-se à região de municípios mais afectados: Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.
“Hoje, com particular gosto, foi colocada a primeira água a circular no canal”, diz ao PÚBLICO, lembrando que os dois blocos de rega em causa, abastecidos pelo canal, “são muito relevantes”. “Foi um trabalho incrível, com muitos meios mobilizados para o local. E demos o nosso melhor”, conclui.
“Devo uma palavra de grande respeito e consideração à APA porque cumpriu o que prometeu, e porque isso permite às famílias retomarem a actividade económica naquela zona, garantindo o seu rendimento, o seu sustento”, sublinha a presidente da Câmara de Coimbra. “Assim os agricultores têm a garantia de que podem iniciar a época, com as culturas que necessitam muito de água, como é o caso do milho e do arroz”, acrescentou.
É certo que, com a recuperação do canal, apenas uma parte do problema da bacia hidrográfica do Mondego fica resolvida. “É muito importante que haja manutenção, que se corte toda aquela vegetação que obstrui os sifões, e que, a montante, haja o desassoreamento do rio Mondego”, adianta a presidente da Câmara de Coimbra, que não se cansa de lembrar que “na parte urbana, o rio Mondego está totalmente assoreado e portanto, numa chuvada forte, haverá inundações se não retirarmos toda aquela areia”. É preciso estabilizar as margens do rio – “que estão todas destruídas” – e ainda avançar para uma intervenção junto à foz do Rio Ceira. Ali, na zona da Portela, a água correu a tal velocidade que as margens do Rio Mondego foram escavadas em cerca de 30 a 40 metros. “Mas o trabalho faz-se por fases, e esta foi só a primeira fase”, diz Ana Abrunhosa, que já celebrou um contrato interadministrativo para intervir no Parque Verde, nas margens direita e esquerda do Mondego.
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