Maioria trabalhista trava ida de Starmer a comissão parlamentar para falar sobre Mandelson

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A maioria do Partido Trabalhista na Câmara dos Comuns do Parlamento do Reino Unido chumbou esta terça-feira uma moção apresentada pelo Partido Conservador, e apoiada por outros partidos da oposição, que pretendia que o primeiro-ministro, Keir Starmer, fosse chamado a prestar declarações numa comissão parlamentar por alegadamente ter “induzido em erro” os deputados, nas várias intervenções que fez sobre o processo de nomeação de Peter Mandelson para embaixador do país nos Estados Unidos.

Apesar do voto favorável de 15 deputados trabalhistas, nomeadamente da sua ala esquerda, a moção, encabeçada pela líder conservadora, Kemi Badenoch, e assinada por parlamentares dos Liberais Democratas, do Partido Nacional Escocês e do Partido Unionista Democrático, entre outros, foi rejeitada, por 335 votos contra 223.

Starmer e o Governo têm estado debaixo de fogo não só por terem sido reveladas, em Setembro do ano passado, ligações e possível partilha de informações confidenciais entre Mandelson e o predador sexual norte-americano Jeffrey Epstein, mas também devido ao facto de o antigo ministro ter sido nomeado para o cargo depois de o Serviço de Avaliação de Segurança (UKSV, na sigla original) não ter recomendado a autorização securitária necessária para o exercer.

O primeiro-ministro acusou o corpo civil do Ministério dos Negócios Estrangeiros de ter “omitido deliberadamente” e ultrapassado o “chumbo” do UKSV e afastou Olly Robbins, o principal funcionário público do ministério, que assumiu não ter informado Starmer nem nenhum ministro sobre a posição daquela agência governamental.

Esclarecendo, anda assim, que a não-recomendação do UKSV não se deveu às relações entre Mandelson e Epstein – há investigações em curso sobre ligações do ex-embaixador com empresas da China e da Rússia – Robbins disse, ainda assim, ao Parlamento, que foi alvo de “pressões” de Downing Street para acelerar o processo administrativo para a nomeação do mesmo.

Esta terça-feira, Morgan McSweeney, ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro, que apresentou a demissão em Fevereiro, assumindo “todas as responsabilidades” pelo seu papel no processo de escolha de Peter Mandelson para embaixador em Washington, confirmou a uma comissão parlamentar a existência dessas “pressões”, mas recusou a ideia de que o objectivo era ultrapassar procedimentos burocráticos ou mesmo securitários.

“A nomeação de Mandelson para embaixador foi um grave erro de avaliação. Aconselhei o primeiro-ministro a apoiar essa nomeação e cometi um erro ao fazê-lo”, começou por dizer, revelando que explicou a Starmer que havia “prós e contras” numa escolha que pretendia ser a mais adequada para lidar com a Administração de Donald Trump.

“O que não fiz foi supervisionar a verificação de segurança nacional, pedir a funcionários que ignorassem procedimentos, solicitar que fossem saltadas etapas, nem comunicar, explícita ou implicitamente, que as verificações deveriam ser aprovadas a todo o custo”, assegurou.

O Governo garante que Keir Starmer tem sido totalmente transparente sobre o caso, rejeita as acusações da oposição de que o primeiro-ministro esteja a atirar as culpas para a Administração Pública e para os seus assessores, e diz que o Partido Conservador tentou uma “manobra política desesperada” com a moção apresentada e votada nesta terça-feira para obter ganhos eleitorais nas autárquicas inglesas e nas legislativas escocesas e galesas da próxima semana (7 de Maio).

Segundo as sondagens, o Reform UK, partido de direita radical e populista, de Nigel Farage, deve conseguir eleger o maior número de nos municípios que vão a jogo nas eleições em Inglaterra, e disputar, com o Plaid Cymru, independentista de esquerda, a vitória nas eleições para o Parlamento do País de Gales.

Os estudos de opinião apontam para perdas significativas do Labour, nomeadamente na região de Londres e no território galês, que, a confirmarem-se, devem colocar ainda mais pressão sobre um Governo e um primeiro-ministro fragilizados pelo “caso Mandelson”, por outros escândalos políticos e pelo fraco desempenho da economia britânica.

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