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O sucesso do remédio está sempre na dose. E, ao que tudo indica, o da inteligência artificial também. Estudos recentes mostram que o uso excessivo de múltiplas ferramentas pode aumentar a carga de trabalho, reduzir a produtividade e sobrecarregar o cérebro humano.
No mundo corporativo, o fenômeno já ganhou nome: AI Brain Fry, “fritura” mental associada ao uso intensivo de IA. E, se afeta as pessoas, afeta as empresas. Em vez de ganhos de eficiência, já há organizações encontrando o inverso, com profissionais saturados, mais lentos e menos produtivos.
O relatório 2026 State of the Workplace, da ActivTrak, analisou dados comportamentais de 163.638 funcionários em 1.111 empresas. Revelou que, após a adoção da IA, as interações de trabalho se intensificaram. O volume de e‑mails cresceu 104% e o tempo gasto com mensagens aumentou 145%, segundo divulgou o Wall Street Journal.
Ainda assim, poucos profissionais operam na chamada “zona ideal”, entre 7% e 10% do tempo em ferramentas de IA. É nessa faixa que aparecem os ganhos reais de produtividade. Acima disso, surgem os primeiros sinais de sobrecarga.
Na Harvard Business Review, outra pesquisa, esta do Boston Consulting Group, reforçou o alerta. Quando a tecnologia exige mais do que os limites cognitivos permitem, aumentam os erros, o desgaste e a insatisfação.
O estudo mostra que o uso moderado tende a elevar a produtividade, mas, quando o profissional passa a operar três ferramentas simultaneamente, os ganhos diminuem. Com quatro ou mais, eles despencam, especialmente quando é preciso instruir, monitorar e integrar vários agentes.
É nesse ponto que surge a “fritura”. Confusão, dificuldade de concentração, lentidão na tomada de decisões e sensação persistente de sobrecarga. Em outras palavras, fadiga cognitiva.
O desafio não é apenas incorporar IA aos processos, mas a boa governança no uso. Isso implica limitar o número de ferramentas por fluxo de trabalho, evitar redundâncias, definir com clareza quando a IA deve interagir com humanos e criar janelas de atenção que reduzam a carga contínua de supervisão.
Também exige monitorar indicadores de saturação, como tempo de instrução, retrabalho e queda de velocidade decisória. E, mandatoriamente, requer avaliar a maturidade dos times: antes de escalar o uso, é preciso determinar a capacidade para operar múltiplos agentes.
A pergunta crucial a fazer não é “quantas ferramentas estamos adotando?”. Porque a resposta que tem de ser encontrada é quanto à dose que maximiza produtividade sem comprometer a saúde cognitiva da organização.
No fim, a lógica permanece a mesma desde os tempos do suíço Paracelso, há quase 500 anos: “Todas as coisas são venenosas; a dosagem por si só faz com que uma coisa não seja um veneno”. No caso da IA, o benefício duradouro também depende da dose certa.
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