A gigante China está cada vez mais presente na pequena África de língua portuguesa

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A ligação da China com os pequenos países africanos de língua oficial portuguesa tem vindo a estreitar-se através de uma cada vez maior presença económica e tecnológica do gigante asiático em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. A “fragilidade económica e política”, aliada a uma vontade de encontrar uma alternativa “às tradicionais ligações com o Ocidente” vem contribuindo para esta aproximação, diz um estudo da Universidade de Georgetown e do think tank The Digital Economist.

“Estes pequenos países contam uma história grande e globalmente significativa sobre a melhor forma de prosseguir o desenvolvimento internacional nos mercados emergentes”, lê-se no documento, assinado por Guilan Massoud-Moghaddam e Robert Miles Chong, da Universidade de Georgetown, e William Vogt, da Digital Economist.

Em declarações à Lusa, Vogt sublinhou que “a China está a construir relações mais estreitas com os países de língua portuguesa através da ligação cultural partilhada com Macau” e recordou que Pequim “tem também um historial de apoio a camaradas comunistas em alguns destes países durante os primeiros anos das respectivas independências”.

A situação actual nestes países “alinha-se com algumas das prioridades de investimento directo estrangeiro de Pequim, nomeadamente a promoção das inovações tecnológicas avançadas da China”, explicou Vogt. Há, acrescenta, “uma convergência na promoção da disseminação de tecnologia avançada de vigilância e na introdução de componentes, ferramentas e infra-estruturas essenciais para a sua plena implementação em novos mercados”.

“Os países de língua portuguesa destacam-se neste contexto porque estão motivados a aplicar tais programas para reforçar a segurança, enquanto a China procura difundir as suas inovações tecnológicas de ponta no mercado global mais amplo”, afirmou Vogt, sublinhando que para Pequim isto tem o efeito adicional de consolidar relações económicas mais firmes e uma penetração de mercado já visível em alguns destes países.

Segundo Voigt, duas coisas se aliam para tornar a relação com a China atraentes, o facto de ser uma “potência não ocidental, sem o peso histórico dos abusos das políticas imperialistas ocidentais” e a “provável compreensão das prioridades e dos caminhos de desenvolvimento enfrentados por estes países”.

Hoje em dia, “a China oferece benefícios socioeconómicos plausíveis a estes países através de produtos, programas e iniciativas considerados úteis para um desenvolvimento digital sustentável”, explica Voigt. Ao mesmo tempo, mantém “um historial de fornecer oportunidades para desenvolver outras indústrias lucrativas através de investimento e infra-estruturas turísticas”.

Cabo Verde: hub digital

Turismo, tecnologias de informação e comunicação são as áreas privilegiadas pela China em Cabo Verde. Projectos como a instalação de cabos submarinos de fibra óptica pela gigante tecnológica Huawei são apontados como exemplos da aposta de Pequim em transformar o arquipélago num destino internacional e num hub digital regional.

O estudo refere que para “um país com intermediação financeira fraca e escassa diversidade de recursos naturais”, o investimento externo directo, nomeadamente o da China, tem sido uma “tábua de salvação” para a economia.

Guiné-Bissau: tudo chinês

Na Guiné-Bissau, por exemplo, onde “a combinação de 500 anos de subdesenvolvimento português e um tipo de socialismo estatal garantiu que o país nunca fosse capaz de aproveitar os seus recursos naturais e humanos”, Pequim investiu na agricultura, no apoio à produção de caju, e na energia e telecomunicações, nomeadamente através de acordos feitos pela Huawei.

Bissau aderiu à iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda (One Belt, One Road) em 2021, já no mandato de Umaro Sissoco Embaló como Presidente que apostou forte em aprofundar os laços com a China, ao ponto de, em 2024, aquando da visita de Embaló à China, os dois países terem transformado a relação bilateral numa “parceria estratégica“. Nestes últimos anos, quase tudo o que se construiu ou está a construir é com apoio chinês.

São Tomé: “Qatar do Golfo da Guiné”

A decisão de cortar relações com Taiwan em 2016, abriu a São Tomé e Príncipe o caminho para novos acordos bilaterais com a China, nomeadamente em projectos de tecnologias de informação e comunicação, de energia e no sector portuário, bem como na agricultura.

Os chineses estão interessados em demonstrar que São Tomé e Príncipe é bem “mais do que a terra do cacau e do café” e que para Pequim é mesmo uma espécie de “Qatar do Golfo da Guiné”, por causa da sua privilegiada localização geográfica.

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