Brasileiras impulsionam negócios em Portugal de olho nos avanços tecnológicos

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A goiana Shirlyane Martins e a carioca Maria Luísa Labarthe representam duas trajetórias distintas, mas convergentes, de brasileiras que escolheram Portugal para viver e empreender. Atuando, respectivamente, nas áreas de saúde ocupacional e arquitetura, ambas saíram do Brasil em busca de melhores condições de vida, segurança e oportunidades profissionais e hoje integram o contingente de milhares de imigrantes que contribuem para o fortalecimento e crescimento da economia portuguesa.

Radicada na região do Porto há 22 anos, Shirlyane construiu toda a sua trajetória profissional em Portugal. Sócia-gerente da Star Vitória Assistência Médica Lda, ela conta que atua na área de medicina e segurança no trabalho, acompanhando de perto a evolução do mercado. “Desenvolvemos serviços focados na saúde ocupacional, gestão de riscos, conformidade legal e apoio às organizações na implementação de boas práticas de segurança e bem-estar no ambiente laboral, operando junto de empresas de diversos setores”, destaca Shirlyane.

Natural de Iporá, em Goiás, ela iniciou a carreira como esteticista e, ao chegar a Portugal, manteve-se na área antes de migrar, em 2019, para o setor onde trabalha atualmente. “A minha mudança para Portugal foi motivada pela procura de melhores condições de vida, maior segurança e novas oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Como muitos imigrantes, cheguei com expectativas, mas também com a consciência de que seria necessário recomeçar e me adaptar a uma nova realidade”, recorda.

Ao longo do percurso, enfrentou desafios como adaptação cultural, construção de rede de contatos e afirmação profissional. “Além disso, deparei com algumas situações de preconceito, tanto no contexto profissional como pessoal, o que exigiu resiliência e determinação para continuar a crescer”, afirma. Segundo ela, as experiências contribuíram para torná-la “mais forte, mais preparada e mais consciente do meu valor”.

Para Shirlyane, o ambiente empresarial português é atrativo, sobretudo pela estabilidade e segurança jurídica. Ela destaca ainda a crescente valorização da saúde ocupacional e da prevenção de riscos. “No meu caso, isso estimula diretamente a atividade, pois há uma valorização cada vez maior da prevenção de riscos e do cumprimento das normas”. Ainda assim, ressalta o impacto da tecnologia e da inteligência artificial (IA) no setor, defendendo equilíbrio entre inovação e responsabilidade.

Cibersegurança nos negócios

Maria Luísa também encontra desafios diante deste novo cenário. Por isso, elas têm mais uma coisa em comum para continuar impulsionando seus negócios em Portugal. Clientes da Porbite, firma portuguesa especializada em serviços de informática para empresas, elas contam com suporte orientado para monitorização proativa, cibersegurança e suporte técnico especializado.

O português Rui Dias, CEO da Porbite, alerta para os desafios associados à inteligência artificial, cujo uso já ocorre de forma disseminada em muitas empresas. “Mas é preciso ter noção de que a IA não elimina riscos, transforma-os, muitas vezes tornando-os menos visíveis”, destaca. Questões como segurança de dados, dependência tecnológica e decisões automatizadas exigem atenção redobrada, aponta ele, que tem 40 clientes, sendo cinco deles empresas brasileiras.

E complementa: “Resumindo, a IA não é, por si só, um problema. O verdadeiro risco está na sua utilização sem uma estratégia clara”, conclui. Para ele, empresas que investirem em políticas estruturadas e formação estarão mais preparadas que as demais, no sentido de tirar proveito das transformações tecnológicas que virão.

A arquiteta brasileira Maria Luísa Labarthe
Arquivo Pessoal

Qualidade de vida

Do outro lado do país, em Lisboa, onde vive desde 2016, Maria Luísa trilhou um caminho internacional até se estabelecer definitivamente em Portugal. Arquiteta formada na França, com passagens profissionais por Paris e pelo Rio de Janeiro, ela hoje comanda o seu próprio ateliê, o Labarthe Architects. “A maior qualidade de Portugal é a qualidade de vida e a segurança, bem como a proximidade e integração com o resto da Europa”, relata.

Segundo Maria Luísa, o mercado português apresenta características próprias, com menor dimensão em comparação ao Brasil. “O mercado português é bem peculiar: as oportunidades encontram-se mais junto dos nichos”, afirma, destacando especialmente a comunidade de brasileiros e outros expatriados como principais clientes. A decisão de deixar o Brasil esteve ligada, frisa ela, à instabilidade e à insegurança no país. Em Portugal, contudo, ela aponta desafios como burocracia e escassez de mão de obra qualificada. Porém, mantém o próprio negócio desde que chegou ao país, consolidando sua atuação no setor.

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