Que conselho gostava que lhe tivessem dado antes de ser mãe? Sete mães respondem

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As redes sociais estão cheias de especialistas em maternidade e de testemunhos na primeira pessoa sobre o que é ser mãe. Mas é tanta informação que se pode tornar ruído, tornando-se difícil saber em que conselhos confiar. A propósito do Dia da Mãe, que se assinala neste domingo, o PÚBLICO pediu a sete mães, entre figuras públicas e especialistas em maternidade, para responderem à questão: “Que conselho gostava que lhe tivessem dado antes de ser mãe?”.

Ana Markl, radialista
Rui Gaudêncio

Ana Markl, escritora e radialista, mãe de um

“Quando tiveres o teu filho recém-nascido nos braços, não deixes que a ansiedade se sobreponha ao amor. Vai correr tudo bem. Olha para o teu filho, vê-o. Entrega-te à dura missão da maternidade sem olhar para trás porque o tempo vai passar rápido e, não tarda, terás a tua vida de volta numa versão ainda melhor. É um duro golpe para a tua identidade, para a tua individualidade, mas voltarás mais rija. Faz terapia antes de o teu filho nascer. Vais precisar de rever a tua própria infância ao longo desta viagem, identificar traumas e gatilhos, “vingá-los” com amor. Será duro, mas aprenderás a ser mãe, não só do teu filho, mas também do teu ‘eu’ pequenino. Chora quando precisares e diverte-te. Não te sintas culpada porque isto é mesmo assim: terrível e maravilhoso.”

Diana Rodrigues da página Mãe e Pêras
DR

“O melhor conselho seria não ter ouvido conselhos. Cada mãe é uma mãe, cada criança é uma criança. Devemos conhecer e respeitar a individualidade dos nossos filhos, sem nunca estabelecer metas baseadas na experiência dos outros, que, muitas vezes, não se enquadra no nosso estilo de vida. O que funciona numa criança ou com uma mãe, pode não funcionar com outra. E está tudo bem. A pressão da comparação só gera exaustão.”

Filipa Gomes, cozinheira
Daniel Rocha

Filipa Gomes, cozinheira e criadora de conteúdos, mãe de três

“Gostava que me tivessem tido que não há mal em errar e que vai ficar tudo bem. Muitas vezes dizem-nos aquele conselho de ‘tu és a melhor mãe que podias ser para os teus filhos’. Nunca acreditamos, mas efectivamente estamos a fazer o nosso melhor e não dá para ser diferente. O problema é quando levamos isto a um extremo da perfeição, que é uma falácia. Portanto, digo às outras mães: não faz mal errar. Ah! E durmam com eles na cama.”

Inês Meneses, radialista
Rui Gaudêncio

“Antes de a nossa filha nascer, estávamos muito preocupados em aprender pelos livros as respostas sobre sermos pais. Gostava que alguém me tivesse dito que nem tudo está nos livros; o essencial aprende-se vivendo e nem sempre está escrito.”

Mafalda Castro, apresentadora de televisão
Rui Gaudêncio

“Uma das partes mágicas de nos tornarmos mães é não saber nada à partida e ir descobrindo, aprendendo. Daí a transformação de que tanto se fala. Desde o início que tenho muito presente que tudo passa. E isto acontece tanto com a melhor parte da maternidade, como com a ‘pior’. As fases mais difíceis, as cólicas ou as noites mal dormidas passam. Mas o mesmo acontece com as coisas boas e, neste caso, rápido demais. Uma das coisas que gostava também de ter tido mais presente, por muito clichê que pareça, é a ideia de aproveitar sem pressa, entregando-me totalmente a esse momento. Não ter pressa de o adormecer ou de brincar mais um bocadinho. Isto é algo de que gosto de me lembrar todos os dias.”

Mariana Caldeira, psicóloga
DR

“Mais do que um conselho, acho que teria feito diferença ter tido uma verdadeira preparação emocional para tudo o que a maternidade traz. Falamos muito do bebé, mas pouco da transformação interna, da ambivalência, do cansaço, da culpa e das dúvidas. E, sobretudo, pouco se fala do peso da nossa própria bagagem emocional, dos gatilhos que surgem, e de como aquela criança pode, tantas vezes, tornar-se um espelho daquilo que vivemos, ou daquilo que nos faltou viver.

Gostava de ter sabido que é normal não gostar de tudo, que o amor não anula o desgaste, e que pedir ajuda não é falhar, é cuidar de mim e dos meus filhos. Hoje, é muito disso que também levo para o meu trabalho e para o meu último livro — Sobreviver a dias imperfeitos — esta ideia de que a maternidade não se vive só no presente, vive-se também com a história que trazemos connosco.”

Mariana Torres, obstetra
DR

“Gostava que me tivessem dito que a maternidade não tem de ser perfeita. Antes de ser mãe, há muita pressão para fazer tudo bem: a gravidez, o parto, a amamentação, a recuperação, o regresso ao trabalho, a casa, a relação… E depois percebemos que a maternidade real é muito menos controlável do que imaginávamos.

O conselho que gostava de ter recebido era: ‘informa-te, sim, mas não transformes essa informação em mais uma forma de te cobrares. Usa-a para decidir melhor, para pedir ajuda mais cedo e para perceber quando estás a chegar ao teu limite.’ Ser mãe é muito mais sobre presença, adaptação e rede do que sobre fazer tudo certo. Aprende a cultivar a autocompaixão.”

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