Aterro no Chile lidera lista mundial de emissores de metano

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Uma das maiores fontes mundiais de gás metano, substância que potencia o aquecimento climático, é um aterro que sobressai por entre as colinas nos arredores de Santiago, capital do Chile, de acordo com um estudo recente da agência ambiental da ONU.

O aterro de Lomas Los Colorados encabeça uma lista de 50 locais de origem humana com os níveis mais elevados de emissões de metano do mundo, segundo dados de imagens de satélite publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) em Abril.

“É uma megafonte de metano que pode ter efeitos não só no Chile, mas a nível global”, afirmou Juan José Garcés, director do departamento de engenharia civil e ambiente da Universidade de Santiago.

O aterro em forma de pirâmide, situado a cerca de 60 quilómetros a norte da capital, recebe resíduos domésticos de uma área com mais de sete milhões de habitantes.

Contudo, desde 2007, tem contribuído para o abastecimento de uma central eléctrica próxima através de um programa de conversão de metano capturado em biogás, informou a empresa gestora KDM Empresas à Reuters.

“Isto não só mitiga significativamente o efeito de estufa, como também transforma um passivo ambiental numa fonte de energia limpa e útil”, afirmou a empresa em comunicado.

O amontoado compactado de lixo produz 102.667 toneladas métricas de metano por ano, estimou o estudo da ONU, o que equivale às emissões de quase dois milhões de automóveis em circulação.

Trata-se de cerca de 20 mil toneladas a mais do que o segundo local da lista, uma instalação de petróleo e gás no Turquemenistão. Os 20 locais seguintes da lista produzem, em média, cerca de 60 mil toneladas a menos.

O metano é um factor determinante para o aquecimento global, representando cerca de um quarto de todas as emissões que alteram o clima, segundo o Sistema de Alerta e Resposta ao Metano do PNUA, que monitoriza e procura reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

“São emissores significativos nos sectores do petróleo e gás, do carvão e dos resíduos, que emitem de forma contínua ou frequente”, declarou o PNUA sobre as conclusões publicadas em Abril.

No aterro sanitário de Lomas Los Colorados, composto por resíduos domésticos e utilizado para a produção de biogás, são utilizadas máquinas para compactar o lixo
Pablo Sanhueza / REUTERS

Moscas e odores 24 horas por dia

Os resíduos atraem moscas e geram odores nauseabundos, deixando frequentemente os vizinhos a sentir-se impotentes, relatou Patricio Salgado, de 70 anos, que reside perto do aterro.

“Têm vindo a dificultar-nos a vida durante as 24 horas do dia”, disse. “Não é agradável.”

A KDM Empresas, parte do grupo hispano-americano Urbaser Danner, criticou a análise do PNUA por se fundamentar numa única medição no início de 2026, a qual não reflecte as condições meteorológicas variáveis nem as operações diárias ao longo do tempo.

De 2007 a 2025, o projecto de captura de biogás e recuperação de energia evitou a emissão de mais de 700 milhões de metros cúbicos de metano e 11 milhões de toneladas de dióxido de carbono, acrescentou a empresa no seu comunicado.

A energia resultante, que pode atingir até 100 mil megawatts-hora (MWh), abastece a central eléctrica de Loma Los Colorados, informou a KDM.

Marcelo Mena, professor da Escola de Química e Engenharia da Universidade Católica de Valparaíso, defendeu um maior empenho na separação dos resíduos orgânicos, como os restos alimentares.

“Se conseguirmos retirar dos resíduos orgânicos aquilo que provoca os maus cheiros e tratá-los através de digestão anaeróbica ou compostagem, é esse o processo que deve ser acelerado”, afirmou.

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