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Para além de alimentar, a comida costuma carregar afeto, cultura e memória. Por isso, na vida de imigrante, não surpreende que esteja no prato um dos motivos mais potentes de saudades do país natal, independentemente da nacionalidade. Com quase 500 mil brasileiros regularizados em Portugal, a oferta de produtos e ingredientes originários do Brasil é crescente, seja nas gôndolas dos supermercados, seja em mercados exclusivamente dedicados ao público brasileiro.
No entanto, nem tudo que é consumido em território brasileiro pode cruzar o oceano Atlântico. Há um produto, em especial, que ainda não chega em Portugal por esbarrar na legislação de produtos lácteos: o queijo Catupiry, um daqueles exemplos de marca que viram sinônimo de um tipo específico de produto, O queijo cremoso foi criado em 1911 pelos irmãos italianos Mário e Rosa Silvestrini, imigrantes que se instalaram em Lambari, no interior de Minas Gerais, e, em 1949, abriram uma fábrica em São Paulo.
A receita secreta, transmitida entre gerações, aposta numa consistência cremosa preparada manualmente, envolvida em papel e embalada em uma caixa de madeira. Com a expansão da procura, o negócio cresceu. Em 1949, a produção foi transferida para São Paulo, acompanhando o desenvolvimento industrial e a necessidade de escala.
A partir daí, o Catupiry consolidou-se como referência nacional. “Trata-se de uma formulação exclusiva e imutável, que resulta em uma textura com alta cremosidade e um sabor marcante. A combinação da seleção rigorosa de ingredientes com um controle de processo produtivo cuidadoso garante uma consistência inconfundível”, garante a marca.
Hoje, além de ser usado para passar no pão, o queijo também está no preparo de receitas como pizzas — a de frango com Catupiry tornou-se um sabor bem brasileiro — e coxinhas, que ganham uma dose de cremosidade adicionada à carne de ave desfiada. Aliás, inspirada na criatividade do receituário brasileiro, a empresa também expandiu a oferta de produtos, que incluí um portfólio de 130 artigos, incluindo preparos prontos para finalizar em casa, que também não são vendidos em Portugal por esbarrar na lei.
Interesse na Europa
De acordo com a fabricante do Catupiry, há um interesse estratégico na expansão internacional dos negócios, com acompanhamento contínuo das oportunidades no mercado europeu. No entanto, a entrada na União Europeia ainda apresenta desafios regulatórios relevantes, especialmente no segmento de lácteos.
“Entre os principais pontos, destacam-se as exigências sanitárias e estruturais rigorosas estabelecidas pelo bloco, incluindo a necessidade de habilitação específica de plantas produtivas junto às autoridades europeias, bem como a adequação a padrões técnicos e de composição que diferem do modelo tradicional brasileiro”, explica a marca em comunicado.
A empresa acrescenta que, “em determinados casos, a viabilidade comercial pode estar condicionada à produção dentro do território da União Europeia ou ao atendimento integral a requisitos equivalentes, o que demanda investimentos significativos e avaliação criteriosa”.
Há dez anos, o queijo já está presente, por exemplo, no exigente mercado dos Estados Unidos. A expectativa é de que, num futuro próximo, especialmente com a entrada em vigor do acordo entre o Mercosul e União Europeia, o cenário mude. “Estamos em constante monitoramento. Embora o acordo represente um avanço importante nas relações comerciais, no que se refere ao setor de lácteos, ainda não houve mudanças efetivas que viabilizem, na prática, uma ampliação relevante do acesso a esse mercado”, diz a marca.
Busca por alternativas
Enquanto o Catupiry não cruza o Atlântico em escala comercial, os supermercados buscam alternativas para atender ao público brasileiro — tanto o consumidor final quanto empresários do ramo de restaurantes.
Gisele Rech
A marca Continente, pertencente ao Grupo Sonae, o mesmo controlador do jornal PÚBLICO, tem investido fortemente no consumidor brasileiro, que busca produtos de sua terra natal em Portugal. “Reflete não só o crescimento da comunidade brasileira em Portugal, mas também a crescente curiosidade dos consumidores por novos sabores e experiências gastronômicas”, diz a rede varejista em comunicado, que buscou uma alternativa que chega aos supermercados “já esta semana”.
Em outros supermercados, como os da rede Aldi e Auchan, também é possível encontrar este queijo, mas numa versão em maior quantidade, indicado especialmente para restaurantes. Anunciado como creme com queijo estilo Catupiry, tem na base água, queijo, natas, amido, sal e conservantes.
O produto é fabricado em Portugal pela marca Ipanema — Sabores do Brasil, cuja fábrica fica na aldeia de Trancoso, na região da Beira Alta. A mesma empresa também apresenta outros produtos com gostinho brasileiro, como queijo coalho e linguiça toscana.
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