Um ataque aéreo israelita matou o filho do principal negociador do Hamas nas conversações sobre o futuro da Faixa de Gaza, mediadas pelos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira um porta-voz do movimento armado palestiniano, enquanto uma delegação do grupo estava no Cairo num esforço para salvaguardar a trégua com Israel.
Azzam al-Hayya, filho de Khalil al-Hayya, foi atingido num ataque israelita à Cidade de Gaza na noite de quarta-feira e acabou por não resistir aos ferimentos, segundo fontes das autoridades locais de saúde e do Hamas, citadas pela Reuters. É o quarto filho do líder do Hamas em Gaza, agora exilado, a ser morto pelas forças israelitas.
As Forças de Defesa Israel (IDF) foram contactadas pela Reuters, mas não responderam ao pedido de esclarecimentos.
Já na tarde desta quinta-feira, autoridades de saúde e o Ministério do Interior da Faixa de Gaza adiantaram que pelo menos três agentes das forças de segurança foram mortos e que mais pessoas ficaram feridas num ataque israelita a um posto policial na Cidade de Gaza.
Sobre esse ataque, o Exército israelita alega ter bombardeado um centro de comando do Hamas no Norte da Faixa de Gaza, matando vários combatentes que se encontravam no interior do edifício e que estariam a preparar-se para “levar a cabo ataques terroristas” contra Israel.
Khalil al-Hayya, pai de sete filhos, três ainda vivos, sobreviveu a várias tentativas de assassinato por parte das forças israelitas. No ano passado, um ataque a Doha, capital do Qatar, que tinha como alvo líderes do Hamas, também matou um dos seus filhos. Outros dois foram mortos em anteriores tentativas de assassinato, em 2008 e em 2014, na Faixa de Gaza.
Em declarações à Al Jazeera após o ataque na noite de quarta-feira, pouco antes da morte do seu filho, Khalil al-Hayya acusou Israel de tentar minar os esforços dos mediadores para fazer avançar o plano da Administração Trump para a Faixa de Gaza, sob supervisão do Conselho de Paz.
“Os ataques e violações sionistas são um indicador claro de que a ocupação não pretende respeitar o cessar-fogo“, afirmou Al-Hayya.
Entoando “Allahu Akbar” (em português, “Alá é maior”), dezenas de palestinianos reuniram-se nesta quinta-feira em Gaza para o funeral de Azzam al-Hayya, acompanhando o corpo até à sepultura. As mulheres da família também prestaram homenagem ao corpo envolto num sudário branco.
“O teu martírio, meu amado irmão, teu e dos meus irmãos Hammam, Osama e Hamza, não vai dissuadir o meu pai, Khalil al-Hayya, da sua convicção”, disse a irmã da vítima, durante as cerimónias fúnebres.
O porta-voz do Hamas em Gaza, Hazem Qassem, considerou o assassinato de Azzam, de 32 anos, uma tentativa falhada de Israel para influenciar a delegação de negociadores e forçar algumas cedências políticas.
“Afirmamos que esta estratégia recorrente de atacar líderes e filhos de líderes não conseguirá impor uma posição política ao povo palestiniano, nem à liderança do Hamas, nem à sua delegação negociadora”, insistiu Qassem, em declarações à Reuters.
Durante esta semana, representantes do Hamas e de outros grupos armados palestinianos reuniram-se no Cairo com mediadores regionais e com o director-geral do Conselho de Paz, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, para tentar dar início à segunda fase do plano de Donald Trump para Gaza.
Apesar de o acordo alcançado em Outubro entre o Hamas e Israel prever a retirada das tropas israelitas em Gaza e o desarmamento do Hamas, a entrega das armas tem motivado discórdias nas negociações em curso. O movimento palestiniano já informou Mladenov de que a implementação da segunda fase do plano só será possível quando Israel cumprir as suas obrigações e cessar totalmente os ataques à Faixa de Gaza.
Desde 10 de Outubro, data em que foi assinado o acordo de cessar-fogo, Israel matou pelo menos 837 palestinianos na Faixa de Gaza — fazendo contas aos 209 dias que passaram desde então, é como se Israel tivesse assassinado quatro pessoas em cada um deles. Durante o mesmo período, as IDF afirmam que foram mortos quatro dos seus soldados.
Apesar da enorme diferença no número de vidas humanas perdidas, o Governo de Benjamin Netanyahu continua a justificar os sucessivos ataques israelitas com o combate ao Hamas.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com





