Após anos de discussão, a criação de um museu da resistência na cidade do Porto voltou à agenda pública. Nesta quarta-feira, foi a vez do vereador com o pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Porto (CMP), Jorge Sobrado, defender a criação de um projecto do género.
A antiga delegação da PIDE no Porto, na Rua do Heroísmo, tem sido o alvo de vários esforços ao longo dos anos – como iniciativas partidárias do Bloco de Esquerda e da CDU nos órgãos do poder local e na Assembleia da República – para que ali seja instalado um museu que conte a história da resistência ao antigo regime. Sempre sem resultados práticos.
No último sábado, uma marcha organizada pelo núcleo do Porto da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) pediu à autarquia que se juntasse ao esforço para criação do espaço museológico no lugar onde estava instalada a polícia política.
Juntando iniciativas recentes ao “impasse” que se gerou em relação à instalação do Centro Interpretativo 25 de Abril na Praça do Comércio, em Lisboa, Jorge Sobrado defendeu, em reunião de executivo da CMP, que “sobram razões históricas, culturais e sociológicas para explicar porque é que o Porto é o justo destino desse desígnio e projecto”.
O vereador que foi eleito pelo PS, mas que foi convidado pelo presidente Pedro Duarte (PSD/CDS/IL) a assumir o pelouro da Cultura, disse que o antigo edifício da PIDE no Porto é um “emblema vivo, patrimonialmente relevante da resistência contra a ditadura da qual permanecem sobreviventes e testemunhas”. Deu como exemplo a ex-presa política, sindicalista e dirigente da URAP, Maria José Ribeiro.
Além de citar a argumentação utilizada pelo historiador e cronista do PÚBLICO, José Pacheco Pereira, num texto de 2 de Maio, no qual defende a instalação do Centro Interpretativo do 25 de Abril na cidade, Jorge Sobrado disse que havia outras duas razões “para que o Porto e o Norte esperem e reclamem do Estado central este museu naquele lugar”: melhores condições para o Museu Militar, que actualmente ocupa o edifício, e descentralização.
O vereador considera que o Museu Militar não encontra ali “as condições justas para o seu desenvolvimento” e nota que “a esmagadora parte dos museus do Estado concentra-se na capital”. Acresce que os dois grandes lugares de memória da ditadura – o Museu do Aljube e o Forte de Peniche – estão em Lisboa ou nas suas imediações.
Apesar de Sobrado, que fez a intervenção na reunião pública da câmara, dizer que esta posição apenas o vinculava a si, acabou secundado por Pedro Duarte, que disse “acompanhar” a proposta.
O presidente eleito pela coligação de direita diz que já sinalizou o assunto, “de forma informal, junto do Governo” e acrescenta que quer avançar para um “contacto mais formal” para “manifestar a disponibilidade e interesse em avaliar esta questão”.
Pelo PS, a vereadora Francisca Carneiro Fernandes levava já preparada uma intervenção no mesmo sentido.
A única voz discordante foi a de Miguel Corte-Real, do Chega, embora não se tenha oposto frontalmente ao projecto. Pediu apenas que, em matéria de definição de prioridades, o investimento em mais policiamento e mais transportes públicos ficasse à frente do museu. Sobre o projecto de evocação do 25 de Abril, disse esperar que este fizesse menção às FP-25, apenas para ouvir de Manuel Pizarro (PS) que Corte-Real poderia candidatar-se ao concurso para director do museu. Ou a “curador”, acrescentou Pedro Duarte, perante risos dos restantes membros do executivo.
De recordar que, em Abril, foi organizada na cidade uma exposição temporária sobre a resistência ao antigo regime. O responsável pela iniciativa, Luís Monteiro, estudante de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (UP) e ex-deputado pelo Bloco de Esquerda, lembrou que esta era uma história que não estava a ser “contada em lado nenhum”.
A exposição Memória(s) à procura de lugar, que esteve de portas abertas entre 4 de Abril e 2 de Maio, procurava fazê-lo a partir de 10 objectos ou imagens de pessoas que foram presas ou interrogadas pela PIDE.
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