Venezuela deporta para os EUA Alex Saab, aliado de Maduro acusado de corrupção

0
4

O empresário colombiano, ex-ministro da Indústria e Produção Nacional, Alex Saab, foi deportado pela Venezuela para os Estados Unidos, onde enfrentará acusações relacionadas com corrupção e branqueamento de capitais, avançam alguns órgãos de comunicação norte-americanos.

Segundo o New York Times, o empresário de 54 anos e um dos aliados mais próximos do ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi extraditado no sábado, 16 de Maio, numa manifestação do compromisso de Delcy Rodríguez, Presidente interina aprovada pelos EUA, em lutar contra as figuras ligadas a Maduro, o que não seria um dado adquirido já que, ao longo dos anos, ocupou vários cargos de elevada importância naquele que é considerado como o segundo regime chavista.

O mesmo jornal norte-americano acrescenta que Delcy Rodríguez, que assumiu o lugar de Presidente interina poucos dias depois da captura de Nicolás Maduro no ataque dos EUA à Venezuela a 3 de Janeiro, tinha afastado Saab do cargo de ministro da Indústria pouco depois. O empresário acabaria por ser detido em Fevereiro pelas autoridades venezuelanas a comando de Washington.

Alex Saab já terá aterrado num aeroporto de Miami. Segundo a EFE, o empresário chegou ao aeroporto de Opa-locka, em Miami-Dade, escoltado por agentes federais norte-americanos, nomeadamente elementos da Drug Enforcement Administration (DEA, a agência de combate ao narcotráfico).

Horas antes da chegada aos EUA, a deportação de Saab tinha sido confirmada pelo Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) da Venezuela, que garantiu que o processo decorreu “em conformidade com as disposições da lei de imigração venezuelana”.

“A medida de deportação foi adoptada tendo em conta que o referido cidadão colombiano está envolvido em diversos crimes nos Estados Unidos da América, como é do conhecimento público e amplamente divulgado”, afirmou o SAIME num comunicado publicado no Instagram.

Os procuradores norte-americanos, segundo detalha o NYT, acusam Saab de enriquecer através de contratos governamentais, num esquema que utilizava empresas-fantasma e contratos públicos sem concurso e que desviava fundos de programas para aliviar a crise alimentar. As autoridades dos EUA suspeitam ainda que a extradição do empresário pode reforçar o processo judicial contra Nicolás Maduro, actualmente detido em Nova Iorque, que regressará ao tribunal a 30 de Junho, e enfrenta acusações de conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína para os EUA, posse e uso de metralhadoras e explosivos no âmbito do tráfico de droga, entre outros.

Detenção em Cabo Verde e perdão de Biden

Alex Saab é uma das figuras mais influentes da estrutura económica montada por Nicolás Maduro e não é a primeira vez acaba numa prisão norte-americana. O empresário esteve detido na ilha do Sal em Cabo Verde desde Junho de 2020, depois de um mandado de captura internacional emitido pelos EUA.

Saab tinha sido detido naquele país por lá ter parado numa paragem técnica enquanto rumava ao Irão em representação da Venezuela, com passaporte diplomático. Mais tarde foi extraditado para os EUA, onde passou quase dois anos detido por acusações de branqueamento de capitais. O empresário acabaria por sair em 2023, beneficiando de um perdão presidencial de Joe Biden, no âmbito de uma amplamente criticada troca de prisioneiros entre os EUA e a Venezuela.

Quando regressou a Caracas, Saab foi recebido como um herói. Em Janeiro de 2024, seria nomeado presidente do Centro Internacional de Investimento Produtivo, com o objectivo de atrair investimento para o país apesar das sanções internacionais e crise económica. Em Outubro do mesmo ano, Nicolás Maduro promovia Saab a ministro da Indústria e da Produção Nacional, cargo que só abandonou em Janeiro deste ano, por decisão de Delcy Rodríguez.

Nascido na Colômbia, Saab acabou por obter nacionalidade venezuelana, um factor que levanta questões sobre a possibilidade de extradição, já que a Constituição venezuelana proíbe a extradição dos seus cidadãos. No entanto, especialistas contactados pelo NYT consideram que um tratado assinado entre os EUA e a Venezuela em 1992 pode salvaguardar excepções e não é impossível que a Venezuela proceda à retirada da nacionalidade para viabilizar a deportação. Não seria, contudo, a primeira vez que as decisões da Administração Trump entram em rota de colisão com o direito internacional. As autoridades venezuelanas, como o SAIME, referiram-se a Saab como um “cidadão colombiano”.

A oposição venezuelana saudou entretanto a deportação. “É uma óptima notícia para os venezuelanos”, escreveu o dirigente da oposição Juan Pablo Guanipa numa publicação no X. O opositor prometeu ainda que Saab responderá perante a justiça numa futura “Venezuela democrática”. O futuro da Venezuela ainda é incerto, com Delcy Rodríguez a querer manter-se no poder, agradando aos EUA, mas com a oposição a pedir eleições democráticas.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com