Kim quer tornar fronteira com a Coreia do Sul numa “fortaleza inexpugnável”

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O líder norte-coreano, Kim Jong-un, quer reforçar a capacidade militar na fronteira, com o objectivo de a transformar numa “fortaleza inexpugnável”.

Segundo a agência noticiosa norte-coreana KCNA, Kim afirmou no domingo, numa reunião com comandantes de divisões e brigadas de todo o Exército, que a Coreia do Norte tem planos para remodelar a estrutura organizacional militar e reforçar as unidades da linha da frente na fronteira com a Coreia do Sul.

Estes planos são fundamentais para “dissuadir a guerra de forma mais eficaz”, considerou o líder da Coreia do Norte, que recentemente removeu da constituição qualquer menção à reunificação com a Coreia do Sul, consagrando formalmente uma política de crescente antagonismo em relação a Seul que se tornou mais evidente a partir de Dezembro de 2023, quando Kim Jong-un declarou que os dois países são “Estados hostis”.

Na reunião de ontem, Kim apelou ao ajuste do sistema de treino e à expansão dos exercícios práticos para reflectirem as mudanças na guerra moderna e redefinirem os conceitos operacionais das forças armadas norte-coreanas, refere a Reuters.

Kim sublinhou a necessidade de vigilância face ao “arqui-inimigo”, expressão usada pela Coreia do Norte para se referir à Coreia do Sul, e defendeu que o Exército norte-coreano “deve continuar a preservar a tradição de subjugar o inimigo através da ideologia e da convicção, levando a cabo de forma contínua a revolução ideológica”.

As declarações do líder da Coreia Norte surgem num momento em que o Governo da Coreia do Sul reitera a abordagem de aproximação em relação aos vizinhos, explica esta segunda-feira o jornal Korea Times.

O jornal cita o livro branco do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, que indica que o Governo de Lee Jae-myung mudou o seu foco para uma coexistência pacífica de “dois Estados” com a Coreia do Norte, em vez de uma estratégia de pressão e confronto.

O relatório anual do ministério reflecte o esforço do governo de Lee, eleito em Junho do ano passado, para reparar a relação entre as duas Coreias “com base na construção de confiança mútua”.

Se o anterior Governo conservador de Yoon Suk-yeol procurava provocar mudanças na Coreia do Norte através de pressão e de fazer entrar no país informação proveniente do exterior, a opção política é a de respeitar três princípios base: “Seul respeita o sistema da Coreia do Norte, não procura a reunificação por absorção e não participa em actividades hostis”, refere o Korea Times.

Com base nestes princípios, o executivo sul-coreano definiu uma política de “coexistência pacífica e crescimento mútuo na Península Coreana”.

E relativamente à política de Pyongyang dos “dois Estados hostis”, o documento reflecte a posição do Ministério da Unificação, que defende a necessidade de transição para uma “relação entre dois Estados orientada para a paz”, com vista à reunificação, adianta o jornal.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito de 1950-53 terminou com um armistício e não com um acordo de paz.

De acordo com a Reuters, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul declarou esta segunda-feira que a reunião de domingo parece ter sido a primeira de Kim com comandantes de divisões e brigadas desde que chegou ao poder, acrescentando que Seul continuará a gerir as tensões militares e a procurar construir confiança.

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul afirmou também na segunda-feira que as tropas norte-coreanas intensificaram, desde Março, os trabalhos de fortificação em zonas próximas da fronteira terrestre entre as duas Coreias, incluindo a construção de muros.

Hong Min, investigador sénior do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, em Seul, disse à Reuters que a referência de Kim ao reforço da “fronteira sul” sugere que Pyongyang poderá também aumentar a sua presença militar nas fronteiras marítimas com o Sul, como a disputada Linha Limite Norte (NLL).

Segundo Hong, as referências de Kim à guerra moderna e à redefinição das operações “em todas as esferas” reflectem provavelmente as lições que Pyongyang retirou da guerra na Ucrânia e dos conflitos no Médio Oriente, incluindo o uso de drones, ataques de precisão e guerra electrónica.

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