Sabia-se que em 2026 se iam cruzar dois tipos de eventos que podem impulsionar o nosso desenvolvimento económico. O ano de 2026 é o que encerra o maior pacote de investimentos em projetos de investigação aplicada alguma vez realizado no nosso país. Por razões legais, os projetos de investigação das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) têm de encerrar até aos primeiros meses do ano.
São quase 8000 milhões de euros de investimento, que envolveram 1247 entidades empresariais e científicas. Esta meia centena de grandes projetos foi apresentada como um conjunto de investimentos que iriam “contribuir de forma efetiva para a alteração do perfil de especialização da economia portuguesa”. Foi grande a ambição que neles foi colocada.
Passados três anos, é natural que queiramos saber se os resultados a que chegaram confirmam as expectativas. É também, por esta altura, que termina o orçamento de base, das quatro dezenas de Laboratórios Colaborativos, experiência iniciada há menos de uma década, para fazer a ponte entre a investigação e a inovação empresarial e social. O balanço dos resultados destas duas iniciativas devia ser uma tarefa prioritária, prévia a qualquer mudança institucional nas políticas científica e de inovação.
O ano de 2026 é também, numa oportuna coincidência, aquele em que comemoramos os primeiros 50 anos da nossa democracia. Em cima da evolução económica (positiva) que tivemos, seria bom que os portugueses soubessem com o que podem contar nos próximos anos decorrente do investimento feito na ciência e na inovação.
Só os projetos do PRR referidos visavam desenvolver mais de 1200 novos produtos e serviços. Não seria coisa pouca. Se bem-sucedidos, levarão à criação de novas linhas de produção ou mesmo de novas fábricas. Nessa dinâmica, deverá haver oportunidades para a criação de novas fábricas nas regiões do interior, com um atraso que ainda não conseguimos recuperar.
O ano de 2026 é também aquele em que esta possibilidade de impulsionar o desenvolvimento do interior do país vai ser reforçada pela entrada em funcionamento de dois importantes investimentos em infraestruturas de transportes internacionais, que de atraso em atraso vão agora entrar, finalmente, em funcionamento.
Um é o Corredor Internacional Sul, que vai ligar Sines à fronteira, a caminho da Europa. Será complementado com as obras de modernização de duas linhas que lhe estão ligadas. A linha de Casa Branca para Beja, que permitirá interiorizar o potencial dessa linha férrea internacional e reduzir o tempo da ligação de Lisboa a Beja e ao seu aeroporto, para uma hora e um quarto. E a linha de Vendas Novas para Setil, que dá ao Norte e ao Centro acesso a esta nova saída para Espanha e ao porto de contentores de Sines, que dentro de dois anos verá a sua capacidade duplicada, quando terminarem as obras de ampliação.
O outro investimento é o do Corredor Internacional Norte, com a entrada em pleno funcionamento (depois de mais de três anos de encerramento para obras) da Linha da Beira Alta, melhorada, que atravessa esta região, indo dos portos atlânticos à fronteira em Vilar Formoso.
A acostagem de novos cabos de fibra ótica, vindos de outros continentes, vai aumentar a nossa capacidade de acrescentar valor – não só no litoral, mas também no interior – em ligações que se sejam criadas aos cabos que sigam para a Europa.
O que não se sabia era que 2026 iria ser também o ano da pior tempestade de que há memória. Foram evidenciados pontos fracos das tecnologias de construção – dos nossos edifícios e redes de infraestruturas – e dos procedimentos de prevenção.
Entre os novos produtos inovadores haverá provavelmente algumas soluções para esses problemas – que aumentarão a nossa resiliência futura –, em várias áreas, desde a construção (com novos materiais e processos) à energia e comunicações, com tecnologias que reforcem a resiliência das redes. Está em curso um esforço de investimento na reconstrução nas zonas mais afetadas, mas terá de haver também investimentos de antecipação noutras zonas que poderão ser afetadas numa próxima tempestade.
A tempestade agravou também a erosão da costa, que já vinha a piorar com o aumento do nível das águas do mar. Há expectativas que também aí a investigação e desenvolvimento (I&D) possa ter um papel importante, com tecnologia que defenderá a costa, ao mesmo tempo que retira energia das ondas, transformando-a em energia elétrica.
Este alerta vindo da catástrofe meteorológica deve também fazer-nos (re)lembrar a necessidade de investimentos que minorem os efeitos de outro tipo de catástrofe, mais nossa conhecida, os sismos. Algumas das tecnologias já foram desenvolvidas, só falta aplicá-las.
Todos esses investimentos constituem mercados para a inovação (de interesse público) que o Estado pode ajudar a materializar, investindo ou regulamentando o investimento. Como não haverá recursos para tudo, teremos de repensar a necessidade ou a oportunidade de alguns dos grandes investimentos públicos que estavam previstos para os próximos anos.
O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico
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