Membros auto-suspensos da CNE vão voltar aos plenários após receberem informação exigida

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Os cincos membros que auto-suspenderam a sua participação nas reuniões plenárias da Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciaram nesta terça-feira que estão disponíveis para regressar às reuniões plenárias, “após lhes ter sido disponibilizada informação cuja apresentação têm vindo a exigir”.

Em comunicado enviado à Lusa, estes membros da CNE asseguram que vão prosseguir “com a análise da documentação e informação disponibilizadas, bem como solicitar elementos adicionais que entendem relevantes para aferir da condução da gestão financeira e dos recursos humanos” da CNE.

“Os membros signatários reforçam ainda que a retoma da participação nos plenários é condicionada à confirmação de que toda a informação disponibilizada, bem como a informação adicional a solicitar, é adequada e suficiente para assegurar o escrutínio integral e contínuo da actividade financeira e da gestão de recursos humanos da CNE”, sublinham.

O comunicado é assinado pelos elementos eleitos pelo Parlamento Teresa Leal Coelho (indicada pelo PSD) e Rodrigo Roquette (pelo CDS-PP) e pelos três membros indicados pelo Governo João Tomé Pilão, Mafalda Castro de Sousa e Miguel Ferreira da Silva.

A 5 de Maio, estes cinco elementos tinham anunciado a suspensão da participação nos plenários da CNE invocando falta de acesso à informação que consideravam “essencial ao exercício das suas funções”. Em causa, estava “um pedido de acesso a informação relativa a vencimentos, abonos, horas extraordinárias, despesas, senhas de presença e ajudas de custo, referente ao período compreendido entre Setembro do ano passado” até à actualidade.

No comunicado desta terça-feira, estes cinco elementos reiteram o seu compromisso “com os princípios da constitucionalidade e da legalidade; da integridade institucional; da salvaguarda do interesse público e da boa gestão de recursos financeiros”.

Na semana passada, a antiga deputada do PSD Teresa Leal Coelho já tinha sinalizado essa disponibilidade desde que estivesse garantida “a transparência no uso dos dinheiros públicos”, ainda que a informação fosse disponibilizada de forma anonimizada ou com recurso a marca de água. Explicou que estes membros exigiam “informação plena” sobre os gastos deste órgão externo ao Parlamento que lhes permitisse avaliar a sua justificação e até chumbar despesas que consideram “imorais e sumptuárias”, lembrando que a competência orçamental e financeira é do plenário da CNE.

Dois dias depois da suspensão dos cinco elementos, o presidente da CNE, o juiz conselheiro João Carlos Trindade, emitiu uma nota de esclarecimento em que defendeu que “em momento algum foi impedido o acesso à informação”. “Toda a informação financeira solicitada, referente ao período de Setembro de 2025 a Abril de 2026, foi disponibilizada à totalidade dos membros da CNE”, assegurou, dizendo que as limitações apontadas pelos membros que se auto-suspenderam se devem à necessidade de cumprir recomendações do encarregado de protecção de dados da comissão.

Nessa nota, o presidente da CNE anunciava ainda ter solicitado ao Tribunal de Contas a realização de uma auditoria urgente à gestão financeira e administrativa da comissão. Depois disso, João Carlos Trindade determinou a criação de uma “solução informática para disponibilização de informação” que já estava criada aquando da reunião plenária da passada terça-feira que acabou por não se realizar devido à falta de quórum pela ausência dos cinco membros que se auto-suspenderam e do representante do Chega.

“A referida solução permite aceder à informação à distância e integra acesso com credenciais específicas por utilizador, ficheiros com marca de água associada a cada utilizador, impressão e download inibidos, e registo de acessos, em conformidade com o que foi proposto na última reunião plenária”, descrevia o despacho do presidente da CNE.

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