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A escritora e consultora de imagem Maris Tavares, nascida no interior de Goiás, lançou ontem, sexta-feira, 22 de maio, na cidade do Porto, o livro Vestindo a Alma, obra que trata do resgate da essência feminina e da trajetória da autora com a moda. O lançamento contou com apoio da Embaixada do Brasil em Portugal e da FNAC. Na mesma agenda, Maris foi convidada para ministrar uma palestra na Academia de Letras do Porto. Graduada em Engenharia Ambiental, pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), ela atua há 16 anos com moda regenerativa, consultoria de imagem e projetos voltados à capacitação de mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade, por meio do Instituto Moda Regenerativa, sediado na capital goiana.
A trajetória de Maris começou em Itapaci, distante 220 quilômetros de Goiânia. Filha de uma família numerosa, ela cresceu observando a mãe transformar tecidos em roupas para vestir as crianças. Essa relação com a moda e com a imagem passou a influenciar sua visão sobre pertencimento, autoestima e oportunidades sociais.
“Minha mãe comprava fardos de tecidos para fazer roupas para todos nós: seis filhos biológicos e dez adotivos. E ela vestia a todos de forma igual. Sempre dizia que se os filhos dela estivessem limpinhos e fossem educados, o mundo os trataria melhor. Então, desde muito cedo, eu aprendi o poder da imagem sobre o sucesso ou o fracasso de uma pessoa”, destaca.
A partir dessa compreensão, ela passou a desenvolver um trabalho que utiliza a moda como ferramenta de transformação social, econômica e ambiental. Todos os projetos coordenados por ela estão baseados nesses três pilares. Um deles é o Circulando em Casa, iniciativa voltada à estruturação e capacitação de mulheres para o empreendedorismo, permitindo geração de renda e mudança de realidade de vida.
O trabalho desenvolvido atualmente no Instituto Moda Regenerativa, fundado por ela, é direcionado especialmente a mulheres que enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho, muitas vezes agravadas pela ausência de rede de apoio para cuidado dos filhos e por situações de violência doméstica. Dentro do projeto, as mulheres recebem capacitação profissional e acompanhamento multidisciplinar, com apoio de psicólogos, jornalistas e outros profissionais. “É muito mais que ensinar uma função: é fazer com que elas despertem para o pertencimento. Elas também têm condições de estar em lugar de visibilidade, de destaque e de sucesso”.
Segundo Maris, um dos principais cuidados na criação do Instituto foi estruturar o projeto para além da qualificação técnica. A proposta inclui formação em educação ambiental e conscientização sobre produção, consumo e reaproveitamento de resíduos têxteis. “E também do quão importante é o papel delas em transformar o lixo têxtil em luxo”, diz a escritora.
Mais de cinco mil mulheres impactadas
As ações do Instituto já alcançaram mais de cinco mil mulheres, segundo os cálculos da fundadora. Algumas peças ganharam até projeção internacional: em um evento recente no Algarve, a Miss Angola desfilou com um vestido confeccionado por mulheres participantes do projeto social. Outras criações também passaram a integrar exposições ligadas ao Museu do Louvre, em Paris, onde um desfile com peças oriundas do projeto deverá ser realizado em breve.
Apesar de o Instituto Moda Regenerativa ter sido oficialmente fundado há cerca de um ano e meio, Maris afirma que o trabalho efetivo com moda circular, regenerativa, pesquisas e palestras já soma 16 anos. Atualmente, a organização segue ampliando equipes, buscando voluntários e contratando professores para fortalecer as atividades desenvolvidas em Goiânia.
Outra frente importante de atuação está vinculada à Central Única das Favelas (CUFA). Maris é madrinha em Goiás do projeto Top CUFA, iniciativa que busca descobrir e impulsionar meninas de regiões periféricas em situação de vulnerabilidade social. Em âmbito nacional, a madrinha do projeto é a top brasileira Gisele Bündchen. “O nosso papel é dar visibilidade para essas meninas, para que mudem de vida por meio da moda. No concurso, escolhemos duas delas, uma do Top CUFA Street e outra do Top CUFA Fashion”, diz Maris.
O Top CUFA Street é voltado para modelos fotográficos de revistas e editoriais de moda, enquanto o Top CUFA Fashion seleciona modelos de passarela. Segundo a consultora, cada edição alcança cerca de 2,5 mil meninas inscritas e tem conseguido mudar a realidade de participantes por meio da moda.
Ética e pertencimento
No livro Vestindo a Alma, Maris compartilha justamente a conexão entre imagem, comportamento, ética e pertencimento. A autora afirma que a obra vai além da estética e aborda o processo de reconexão das mulheres com a própria essência. “Só quando vivemos a nossa essência é que conseguimos realizar os nossos sonhos”.
Ela também aborda a realidade de muitas mulheres que acabam deixando objetivos pessoais em segundo plano diante das responsabilidades familiares e sociais. O livro narra ainda a própria trajetória da autora, que saiu de Itapaci para construir carreira na moda, na consultoria de imagem e no empreendedorismo social.
“Os pequenos sofrimentos que tive foram todos resignificados. É um livro em que falo de lições maternas e de uma paixão que nasceu e é um talento. Vestindo a Alma tem não só uma conexão espiritual, pessoal e profissional, mas também uma reconexão com o lado feminino que nós temos”, destaca, que, neste sábado, 23 de maio, participa de um jantar temático voltado a um grupo de mulheres que conheceu durante palestra realizada em Portugal no ano passado.
A atuação de Maris também se estende ao debate ambiental dentro da indústria da moda. Ela destaca a importância do consumo consciente e da redução dos impactos ambientais causados pelo setor. No ano passado, participou de oito palcos da Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climáticas (COP), realizada em Belém do Pará, além de outros eventos voltados à sustentabilidade e à economia circular.
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