Felipe González acha que “devia haver eleições ainda este ano” em Espanha

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O antigo presidente do Governo espanhol, Felipe González, defendeu, esta segunda-feira, que se devem antecipar as eleições legislativas em Espanha devido ao caso “Plus Ultra”, em que outro ex-chefe do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, foi imputado por suspeitas de lavagem de dinheiro e tráfico de influências: “Afecta-nos como país, como partido e como pessoas”.

O antigo dirigente do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que foi presidente do Governo entre 1982 e 1996, mostrou-se a favor de antecipar as eleições legislativas porque “é preciso respeitar a infantaria”, isto é, os barões e políticos locais socialistas, que serão os principais prejudicados se o calendário eleitoral se mantiver inalterado.

É que antes das legislativas, marcadas para o Verão de 2027, há municipais e autonómicas, uns meses antes, e os candidatos do PSOE poderão vir a ser prejudicados pelos escândalos que envolvem não só o partido como o actual presidente do Governo, Pedro Sánchez. E já chegam as lições que vieram da Andaluzia – onde, este ano, o PSOE registou o seu pior resultado de sempre —, da “agonia eleitoral” em Aragão ou do “descalabro” na Estremadura, no fim do ano passado.

“É a primeira vez que o digo”, frisou González, numa acção organizada pela Associação Valenciana de Empresários, referindo-se a uma “liderança não mercenária, que não se exerce para benefício próprio, mas sim para os outros”.

Sobre Zapatero, que liderou o Governo entre 2004 e 2011 e é suspeito de ser o cabecilha de uma “estrutura hierarquizada de tráfico de influências” que permitiu o resgate (muito criticado) de uma companhia aérea, assume que não lhe reconhece “capacidades para montar uma engenharia financeira” como a que fez movimentar 53 milhões de euros num suposto esquema de branqueamento de capitais, nem para “saber o que é uma sociedade offshore”. Apesar disso, recorda que a presunção de inocência é indiscutível e que a acção do juiz “defende todas as garantias”.

E termina com um conselho para o principal partido da oposição, o Partido Popular (PP): não apresentar uma moção de censura porque “deixaríamos de falar disto para falar da moção de censura”.

Não deixa de ser essa a intenção de Alberto Núñez Feijóo, líder do PP, que já criticou o PSOE e, em específico, Pedro Sánchez, por “manchar a presidência do Governo”. Até os antigos parceiros de coligação, do Partido Nacionalista Basco (PNV), disseram, esta segunda-feira, que não se revêem “neste momento” na imagem de Pedro Sánchez e que é uma “irresponsabilidade” continuar o mandato depois da imputação de Zapatero, mas que não vão alinhar com o discurso de Feijóo.

Sánchez, por seu lado, prometeu “todo o seu apoio” a Zapatero. Mas é inegável que este é o último caso de numa já longa lista de investigações e suspeitas que rodeiam o presidente do Governo espanhol – do âmbito pessoal, com o processo contra a sua mulher, Begoña Gómez, ao âmbito político, com um escândalo de corrupção que levou à prisão dois socialistas destacados, incluindo Santos Cerdán, no ano passado. Tudo isto fragiliza a sua imagem interna, mas, apesar disso, ainda não cedeu aos pedidos de eleições antecipadas e continua a insistir em levar o mandato até ao fim.

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