O Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira, 25 de Maio, que iria reduzir o seu salário, bem como o dos ministros, para metade do valor actual, face à crescente tensão política no país, onde a população tem realizado protestos e bloqueios de estradas para exigir a demissão do chefe de Estado.
Ao prestar declarações num evento em Sucre, capital constitucional da Bolívia, Rodrigo Paz explicou que os cortes salariais são prova do “compromisso do Governo com o país”.
Os cortes salariais ocorrem num momento em que a Bolívia entra na sua quarta semana de agitação política e social. Os protestos têm vindo a agravar dificuldades nas cadeias de abastecimento das cidades de La Paz e El Alto, onde a escassez de alimentos, combustível e medicamentos já afectam mercados, hospitais e gasolineiras.
Os manifestantes têm pressionado o Governo centrista de Paz para que revogue as políticas de austeridade impostas e dê resposta ao aumento do custo de vida.
Rodrigo Paz, que assumiu a Presidência da Bolívia no final do ano passado, herdou uma das piores crises económicas em várias décadas. Para estabilizar as finanças públicas, tem defendido medidas como cortes na despesa pública e redução dos descontos nos combustíveis.
Quase 20 depois da eleição de Evo Morales, líder histórico do movimento socialista e indígena do país latino-americano, a Bolívia tomou com Rodrigo Paz (senador do Partido Democrata-Cristão e filho do antigo Presidente Jaime Paz Zamora) um novo rumo político, elegendo-o após uma campanha de apelo a um eleitorado cansado das crises políticas e económicas dos governos de esquerda.
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