Xi Jinping criticou “remilitarização” do Japão durante encontro com Trump

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O Presidente chinês, Xi Jinping, mostrou-se descontente com a nova política de “remilitarização” levada a cabo pelo Japão, durante o recente encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim.

A notícia foi avançada esta segunda-feira pelo Financial Times, que cita várias fontes próximas da organização da cimeira entre os dois líderes. Xi ter-se-á mostrado “agitado” e desconcertado com a nova postura das autoridades japonesas de maior assertividade militar.

As críticas de Xi concentraram-se sobretudo na primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, cujo Governo tem feito vários anúncios no sentido de autorizar mais gastos com a defesa, apontando a China como uma das maiores ameaças enfrentadas por Tóquio.

No encontro com Trump, Xi deixou avisos sérios sobre o futuro de Taiwan, dizendo que a má gestão deste assunto pode conduzir as duas potências para um conflito.

Os elementos da comitiva norte-americana mostraram-se surpreendidos com a veemência das críticas e do discurso de Xi contra a nova política de defesa japonesa, referindo que o assunto não tinha sido abordado durante as reuniões preparatórias. Segundo participantes no encontro, Trump terá respondido que a nova postura de defesa japonesa é motivada pelo receio da ameaça representada pela Coreia do Norte.

Mas, na verdade, o Japão tem citado com cada vez mais frequência a China como uma ameaça à sua segurança e desde 2023 que o país é descrito como “o maior desafio estratégico” em diversos documentos governamentais. Em causa está a possibilidade crescente de que Pequim possa avançar para uma ofensiva militar contra Taiwan, pondo em causa a segurança da região.

O Japão e a China também têm vários diferendos diplomáticos em torno da soberania sobre várias ilhas, incluindo o arquipélago das Senkaku (designadas na China como Diaoyu).

A consciência crescente das ameaças à segurança regional, assim como a volatilidade do apoio dos EUA aos seus aliados, tem levado sucessivos governos japoneses a afastar-se cada vez mais do paradigma do pacifismo que vigora no Japão desde o final da II Guerra Mundial. Os orçamentos para a defesa no Japão têm aumentado há mais de uma década.

Já este ano, o Japão anunciou que pretende instalar mísseis terra-ar em várias ilhas como forma de dissuadir a China. E, no mês passado, o Governo levantou a proibição à exportação de armamento letal, que estava em vigor desde o final da II Guerra Mundial.

Na sexta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China criticou a subida da despesa orçamental do Japão com a Defesa no ano passado. “Mais uma vez isto mostra que a máscara do Japão de ‘país da paz’ está a sair e a resvalar para o neo-militarismo”, afirmou o ministério através de um comunicado.

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