E se o turismo acabasse? A pergunta parece provocatória, mas é o ponto de partida para a reflexão da associação IPDT – Tourism Intelligence, que organiza um périplo nacional, a que chama roadshow, pelas sete regiões de turismo do país para reflectir sobre o futuro do turismo em Portugal. A primeira sessão acontece já nesta quinta-feira na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, contando com “empresários, académicos e especialistas do sector”, prevê a associação.
“Perguntar ‘e se o turismo acabasse?’ não é um exercício de pessimismo — é a forma mais honesta de medir tudo aquilo que o turismo sustenta e de assumir a responsabilidade de o fazer melhor”, declara António Jorge Costa, presidente do IPDT, em comunicado. Será ele a liderar a sessão de abertura do evento no Porto, a acontecer entre as 14h e as 17h, que contará, ainda, com oradores como o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Álvaro Santos, o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, ou o director do Aeroporto do Porto, Rui Alves.
Será o primeiro encontro do roadshow, do qual o PÚBLICO é parceiro, que assinala igualmente os 25 anos da organização de turismo, que se dedica à consultoria e à investigação no sector. “Imaginar um cenário em que o turismo deixa de existir é a forma mais clara de tornar visível a profundidade do seu impacto económico, social, cultural e territorial”, reforçam em comunicado. É que pensar o sector de “modo mais estratégico, sustentável e responsável”, especialmente a “longo prazo”, é “urgente” neste contexto geopolítico — em especial com a guerra no Irão, que tem afectado o turismo mundial.
Apesar de a IPDT organizar estes encontros desde 2004, é a primeira vez que o faz em formato de viagem pelo país. Depois do encontro no Porto, está já marcada a sessão no Centro de Portugal, na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, a 18 de Junho. Seguem-se as regiões de Lisboa, Alentejo, Algarve e as regiões autónomas dos Açores e Madeira. O mote para os debates, que têm apoio institucional do Turismo de Portugal e do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, será o mesmo em todas as regiões.
De acordo com os últimos dados da Conta Satélite do Turismo do Instituto Nacional de Estatística, o valor acrescentado bruto directo gerado pelo turismo representou 8,1% para o valor acrescentado bruto nacional em 2024. Já o consumo do turismo no território económico equivale a 16,6% do produto interno bruto. Portugal é assim o segundo país europeu onde o turismo tem maior importância para o PIB, ficando apenas atrás da Islândia.
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