As autoridades ugandesas ordenaram nesta quarta-feira, o encerramento da fronteira com a República Democrática do Congo (RD Congo), “com efeito imediato”, devido ao aumento dos casos de ébola no país vizinho e ao surgimento de casos suspeitos no próprio território.
A decisão foi tomada por um grupo de trabalho local sobre o ébola, liderado pela vice-presidente Jesca Alupo, na sequência de um aumento do número de profissionais de saúde ugandeses expostos ao vírus por doentes congoleses que atravessaram a fronteira antes da declaração do surto, em 15 de Maio. O Uganda registou sete casos de ébola, incluindo uma morte.
Embora o número de casos da doença no Uganda não esteja a aumentar drasticamente, o número de habitantes locais expostos à infecção através dos profissionais de saúde tem vindo a aumentar. “Eles têm famílias, e por isso o número tem vindo a aumentar”, afirmou a secretária do Ministério da Saúde do Uganda, Diana Atwine, referindo-se aos profissionais de saúde.
Até à data, foram identificados 311 contactos para acompanhamento no Uganda. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos suspeitos de ébola no leste da R.D. Congo aproxima-se dos 1000, com pelo menos 223 mortes suspeitas.
Esta epidemia também é complexa devido à falta de vacinas e tratamentos aprovados para esta estirpe Bundibugyo do ébola, e cuja taxa de letalidade varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.
O vírus provavelmente começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes de ser declarado então o surto, segundo a OMS, que classificou esta epidemia a 17 de Maio como “emergência de saúde pública de importância internacional”.
Na passada sexta-feira, a OMS elevou de “alto” para “muito alto” o risco devido ao surto na R.D. Congo e em Uganda, enquanto o risco continua “alto” ao nível da região da África subsaariana e “baixo” a nível global.
Dez países africanos, entre eles Angola, estão em “alto risco” de serem afectados pela epidemia na R.D. Congo e no Uganda, por partilharem fronteira com essas duas nações.
Este é a 17ª epidemia de ébola registada na R.D. Congo desde que o vírus foi detectado pela primeira vez em 1976. A R.D. Congo, nação vizinha de Angola, é regularmente afectada por surtos e epidemias do vírus ébola, que se transmite através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
O ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.
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