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Prefeito de Lisboa, Carlos Moedas disse, nesta quinta-feira, 28 de maio, que a capital portuguesa, mesmo tendo uma “cultura bairrista”, é uma cidade aberta para o mundo. Segundo ele, três em cada dez dos atuais moradores de Lisboa são imigrantes. “Hoje, 30% da população de Lisboa não nasceu em Portugal, não tem nacionalidade portuguesa, mas é da cultura de Lisboa, porque a cultura de Lisboa é uma cultura bairrista, mas aberta ao mundo”, afirmou.
O político, que participou do lançamento do Festival de Verão do Continente — empresa do grupo Sonae, dono do PÚBLICO — para anunciar uma parceria público-privada com a Lisboa Cultura, foi enfático ao ressaltar a diversidade que se vê nas ruas da capital lusa: “A cultura de Lisboa também é África, também é Brasil, também é tudo aquilo que representa a cultura da Ásia. Fico tão feliz porque temos uma identidade construída nas diferenças”.
Na avaliação dele, é essa diversidade vinda da imigração que transformou Lisboa num polo de atração de eventos, que vão se espalhar pelas ruas da cidade até o final do verão. “A cultura tem que estar presente na rua. E nós não vamos parar. Só agora, nas marchas [das festas dos santos populares] serão mais de 100 eventos”.
Ele completou: “Em setembro, para ganhar mais força, vamos ter pelo menos mais 30 eventos com festas na rua. E isso é importante para a cidade, que passa realmente por seus melhores momentos nessa capacidade cultural”. Segundo Moedas, Lisboa, com 188 eventos e congressos neste ano, superou Paris, com 174, no ranking que acompanha o setor.
Carnaval de rua
A cultura brasileira ganhou oficialmente as ruas de Lisboa neste ano, depois de um acordo fechado entre a câmara municipal e a Embaixada do Brasil em Portugal para que os blocos de carnaval pudessem desfilar pela cidade. No total, 17 agremiações puderam se apresentar com o apoio do poder público, arrastando milhares de foliões. Mas foi uma longa caminhada até chegar a esse modelo, que reconheceu os desfiles como manifestações culturais.
Até então, os blocos carnavalescos enfrentavam sérias dificuldades para sair às ruas de Lisboa por não terem apoio da Câmara, o que, muitas vezes, resultava na suspensão dos desfiles pela polícia. A apresentação dos blocos era vista como evento cultural, o que exigia de cada agremiação desembolso de até 30 mil euros para cobrir todas as despesas com os desfiles. Foi preciso uma ampla negociação para que o carnaval de rua entrasse no calendário cultural de Lisboa.
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