O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) anunciou nesta sexta-feira uma aquisição de serviços que garante a manutenção da equipa actual a cargo da gestão do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves. O contrato com a equipa tem a duração de 14 meses, segundo comunicado do ICNF.
A adjudicação prevê a “operacionalização e a gestão técnico-científica do CNRLI, do Complexo de Treino e Recuperação do Lince-Ibérico (CTRLI) e do apoio de campo associado ao Programa de Conservação e Reintrodução da espécie em Portugal”. Esta decisão assegura a continuidade da equipa responsável pelo programa há quase duas décadas, depois de semanas de incerteza motivadas pela intenção do ICNF de “internalizar” a gestão do centro a partir de 1 de Junho, sem que fosse conhecido um plano de transição.
A situação levou a ministra do Ambiente e da Energia a intervir directamente no caso. Maria da Graça Carvalho enviou na semana passada uma recomendação ao instituto para assegurar que este mantinha como prioridade o bem-estar dos linces-ibéricos no Centro de Reprodução em Cativeiro de Silves. Na sequência dessa comunicação, o ICNF convocou uma reunião com a equipa responsável, liderada por Rodrigo Serra.
A duração de 14 meses, justifica o ICNF, permite garantir “a continuidade das operações num período considerado particularmente relevante para o bem-estar e acompanhamento das crias que venham a nascer em 2027, até atingirem uma fase de maior autonomia”. Além da operacionalização e gestão técnico-científica do centro, o contrato anunciado esta sexta-feira inclui a elaboração de uma proposta de modelo de gestão do centro.
A transição abrupta numa fase sensível da actividade do centro, marcada pelo crescimento das crias e conflitos entre juvenis, foi um dos motivos de preocupação apresentados pelo coordenador em declarações ao PÚBLICO na semana passada, a propósito das mudanças que se perspectivavam. Rodrigo Serra sublinhou que o trabalho no CNRLI exige conhecimento acumulado ao longo de todo o ciclo anual da espécie, desde a reprodução à reintrodução, e defendeu que uma transição segura dos processos teria de “durar um ano”. E deu o exemplo de Espanha, onde a passagem de testemunho durou dois anos.
Na nota publicada, o ICNF destaca a importância do CNRLI na estratégia de conservação do lince-ibérico, desenvolvida “ao longo de décadas, em estreita articulação com parceiros científicos, institucionais e internacionais”.
“Este trabalho conjunto permitiu alcançar resultados históricos para a recuperação da espécie, hoje reconhecidos internacionalmente como um caso exemplar de sucesso em conservação da natureza”, enaltece. “O ICNF mantém e reforça o seu compromisso absoluto com a conservação do lince-ibérico em Portugal e com a continuidade do Programa de Reprodução e Reintrodução da espécie”.
O lince-ibérico (Lynx pardinus) é um caso notável de recuperação e reintegração na natureza, de menos de 150 indivíduos na Península Ibérica, no início do século, para mais de dois mil. Ainda assim, a espécie continua classificada como vulnerável e dependente de programas intensivos de conservação.
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