Morreu o filósofo e sociólogo francês Edgar Morin aos 104 anos

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O filósofo francês Edgar Morin morreu na sexta-feira, aos 104 anos, em Paris, confirmou a sua mulher ao jornal Le Monde. “Até aos seus últimos dias, Edgar Morin manteve-se atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram o seu pensamento”, referiu também Sabah Abouessalam Morin, num comunicado enviado à Agência AFP.

“Não sou daqueles que têm uma carreira, mas daqueles que têm uma vida”, escreveu na obra Os Meus Demónios (Publicações Europa América) aquele que é considerado um dos grandes pensadores do último século, como lembra o jornal francês no seu obituário.

O filósofo e sociólogo Edgar Morin autodefinia-se como “construtivista”, inscrevendo-se na corrente da “pensée complexe”, ou seja do pensamento complexo. Publicou a sua primeira obra, O Ano Zero da Alemanha, em 1946, que depois foi adaptada para cinema por Roberto Rossellini em 1948. Publicou mais de vinte livros sobre sociologia, cultura, política, conhecimento e complexidade, entre os quais se destaca a série O Método que em Portugal foi publicada em vários volumes pelas Publicações Europa-América.​ No quinto volume de O Método, escreve: “Quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. As dissociações entre disciplinas fragmentam-no, esvaziam-no de vida, de carne, de complexidade e certas ciências consideradas humanas esvaziam mesmo a noção de homem”.

Edgar Morin nasceu em Paris como Edgar Nahoum, filho de judeus sefarditas originários de Salónica (Grécia), estudou História, Geografia e Direito. Participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. É durante esse período que adopta o pseudónimo Morin, depois de um engano em que um seu camarada não compreendeu bem o nome com que se identificava o jovem Edgar na clandestinidade numa reunião da Resistência — apelidou-se de Edgar Manin, tributo à obra A Condição Humana, de André Malraux, mas depois do engano decidiu não o corrigir.

Desde a década de 1950, desenvolveu a sua actividade de investigação em diversas instituições académicas francesas, especialmente no Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS).

Foi membro do Partido Comunista Francês, do qual foi expulso por discordar da orientação oficial. Faria 105 anos no próximo dia 8 de Julho.

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