Após uma época de jejum, Liverpool quer “avançar” e fá-lo-á sem Arne Slot

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Foi curto o reinado de Arne Slot à frente do Liverpool. Especialmente para quem ganhou a Premier League na época de estreia. Neste sábado, o clube anunciou a saída do treinador neerlandês, sobre quem pesou essencialmente uma segunda metade de temporada com problemas dentro e fora do campo. Ainda assim, uma decisão que contraria o rótulo de estabilidade que os “reds” normalmente colam ao projecto desportivo.

“Chegámos, colectivamente, à conclusão de que mudanças são necessárias para que o clube continue a avançar. Deve enfatizar-se que esta não é uma decisão tomada de ânimo leve“, avançou a direcção do Liverpool, em comunicado, destacando “que o processo de nomeação de um sucessor está em andamento”. O espanhol Andoni Iraola, que deixou o Bournemouth após três temporadas, é apontado em Inglaterra como o provável sucessor.

Mas o que aconteceu para que se esgotasse a paciência na cúpula do clube? O que se passou para que anunciasse uma mudança de rumo num clube que, com algumas excepções, naturalmente, tem prezado a estabilidade na equipa técnica? Basta referir que o reinado do antecessor, o alemão Jürgen Klopp, durou nove épocas, e que, neste século, Gérard Houllier e Rafa Benítez treinaram a equipa durante seis temporadas cada.

O que falhou?

Em primeiro lugar, falhou a política de contratações. Com o título de 2024-25 na mão, o Liverpool iniciou uma espiral de gastos com reforços que só parou nos 483 milhões de euros. Chegaram a Anfield Road, a peso de ouro, jogadores como Alexander Isak (145 milhões), Florian Wirtz (125), Hugo Ekitiké (95), Milos Kerkez (47) ou Jeremie Frimpong (46), mas entre lesões e dificuldades de adaptação, foram poucos os que justificaram a aposta – e as duas maiores desilusões foram precisamente Isak e Wirtz.

Um investimento mirabolante em dois avançados, numa época em que a equipa perdeu dois dos pilares do título, o lateral Alexander-Arnold (Real Madrid) e o extremo Luis Díaz (Bayern Munique), para além do menos influente Darwin Nuñez (A-Hilal) e de um central que, afinal de contas, teria dado muito jeito (Quansah rumou ao Bayer Leverkusen). Um cenário que a tragédia que vitimou Diogo Jota se aprestou a agravar.

Não só por isso, mas também, falharam os resultados – a primeira e a única das verdadeiras razões para um despedimento. A temporada acabou por se revelar desastrosa, com apenas 28 vitórias em 57 jogos, e sem qualquer troféu conquistado. Na Premier League o Liverpool terminou em quinto lugar, perdeu a Supertaça de Inglaterra com o Crystal Palace, e foi eliminado da Taça de Inglaterra (quartos-de-final), Taça da Liga (quarta ronda) e Liga dos Campeões (quartos-de-final).

O choque com Salah

E porque anda tudo ligado, no meio deste novelo está a relação com alguns jogadores, com Mohamed Salah à cabeça. Providencial na época anterior, o egípcio (que tinha apontado 34 golos no ano do título) ficou-se pelos 12 golos e por um conjunto de atitudes e declarações que traduziram tensão com o treinador. A começar logo em Novembro, quando mostrou desagrado por ter ficado no banco depois de 53 jogos seguidos como titular.

Um mês depois, tornou público o descontentamento, mais tarde foi afastado de um jogo da Liga dos Campeões e acabou a época a apontar o dedo à ideia de jogo de Arne Slot. Isto já com o anúncio da saída do clube oficializado desde Março, numa conjuntura que terá contribuído para um rendimento muito menos decisivo do que no passado recente.

Aos 47 anos, Slot deixa o Liverpool, paradoxalmente, com uma das melhores taxas de aproveitamento do clube na Premier League. Na verdade, de todos os treinadores que orientaram os “reds” no escalão principal, só Jürgen Klopp o supera, com 62,6% de vitórias (em 334 jogos), contra 55,2% do neerlandês (76 jogos). “Esta decisão não é um reflexo do seu talento, é indicativa da necessidade de uma nova abordagem”, conclui o clube, em comunicado.

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