Anastasia Potapova provocou a maior surpresa em Paris

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Não é só no torneio masculino de Roland-Garros que tem havido muitas surpresas. Ao fim de três eliminatórias realizadas, apenas quatro jogadoras do top 10 sobrevivem em prova: Aryna Sabalenka, Iga Swiatek, Elina Svitolina e Mirra Andreeva. A mais sonante das vítimas precoces é Coco Gauff, campeã em 2025, mas a vencedora, Anastasia Potapova, há muito que era esperada numa fase tão adiantada de um major.

Campeã mundial júnior em 2016, Potapova estreou-se no ano seguinte em torneios do WTA Tour. Em 2018 já estava a disputar finais no circuito principal; em 2022, conquistou o primeiro título, em Istambul; em meados de 2023, atingiu o 21.º lugar do ranking. No final da época, casou-se com o também jogador Alexander Shevchenko, mas a relação durou menos de um ano. Os problemas emocionais traduziram-se em falta de vitórias no campo. Embora tenha conseguido manter uma posição entre as 40 melhores até ao final de 2024, não logrou repetir os resultados do ano anterior e caiu para fora do top 90.

Mas o início de 2025 ficou marcado pela assinatura do divórcio e pelo início do romance com o tenista neerlandês Tallon Griekspoor e tudo começou a fazer sentido. Com a ajuda do namorado, Potapova recentrou-se na carreira e os resultados reapareceram há poucas semanas: foi finalista em Linz, tornou-se na primeira “lucky loser” da história a chegar às meias-finais de um torneio WTA 1000, em Madrid — derrotando a número dois Elena Rybakina — e foi oitavo-finalista em Roma. Resultado? Subiu do 97.º (a 6 de Abril) para o 30.º lugar do ranking.

Em Roland-Garros, a tenista nascida na Rússia há 25 anos, mas desde o início deste ano a representar a Áustria, somou a nona vitória sobre uma top 10 — e a 14.ª nos últimos 17 encontros — ao derrotar Gauff, por 4-6, 7-6 (7/1) e 6-4. O desaparecimento da número quatro do ranking significa que Potapova, Anna Kalinskaya (24.ª), Diane Parry (92.ª) ou Maja Chwalinska (114.ª), uma delas vai estrear-se numa meia-final de um major.

No entanto, não faltam favoritas ao título e nos oitavos-de-final estão marcados apetitosos duelos: Aryna Sabalenka-Naomi Osaka; Iga Swiatek-Marta Kostyuk; ou Elina Svitolina-Belinda Bencic.

Duas maratonas

No torneio masculino, foi dia de maratonas. Juan Manuel Cerundolo (56.º) – que eliminara Jannik Sinner dois dias antes – voltou a ser protagonista da jornada ao derrotar Martin Landaluce (69.º), por 6-4, 6-7 (7/9), 7-6 (7/4), 6-7 (4/7) e 7-6 (10/8), ao fim de 5h58min — registando um novo recorde de duração em Roland-Garros desde que foi introduzido o match tie-break.

Também Matteo Berrettini (105.º) e Francisco Comesana (102.º) levaram a discussão ao extremo, com o italiano a prevalecer ao fim de 5h15min: 7-6 (7/3), 5-7, 6-7 (4/7), 6-4 e 7-6 (15/13). A competir em Paris pela primeira vez desde 2021, quando chegou aos quartos-de-final, Berrettini não evitou as lágrimas após a vitória que o coloca nos “oitavos”.

Muito emocionado ficou também Zachary Svajda (85.º) que obteve uma vitória histórica no dia de aniversário do pai, falecido no ano passado. O norte-americano de 23 anos chegou a Paris com apenas um encontro ganho nos últimos cinco torneios realizados, mas soube superar Francisco Cerundolo (26.º), por 6-3, 6-4, 3-6, 4-6 e 6-3, para chegar, pela primeira vez, à segunda semana de um major.

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