Trump endurece condições para acordo com o Irão

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, quer endurecer os termos do acordo com o Irão, arriscando um prolongamento do impasse no conflito, de acordo com a imprensa dos EUA.

As alterações à posição negocial de Trump foram confirmadas por três responsáveis próximos das discussões, citados pelo New York Times. No entanto, não é conhecida a natureza destas mudanças, cujo texto já foi enviado para o Irão.

Segundo o site Axios, que também noticiou a mudança no acordo, Trump terá endurecido a posição relativamente a alguns pontos do acordo, como, por exemplo, o destino do material nuclear iraniano. Outro aspecto que preocupa a Administração norte-americana é o descongelamento de fundos financeiros iranianos.

Não são esperados desenvolvimentos rápidos nas negociações, sobretudo porque a liderança iraniana tem dificuldades em responder rapidamente. “Eles estão literalmente em grutas e não estão a usar o email”, disse um dos responsáveis norte-americanos ao Axios.

“Estamos dispostos a esperar para que o Presidente consiga aquilo que ele quer; pode ser uma semana, pode ser menos, pode ser mais”, afirmou o mesmo dirigente, adiantando que no final da semana poderá haver alguma novidade.

Na sexta-feira, Trump esteve reunido mais de duas horas com os seus principais conselheiros e figuras da Administração e, embora tenha prometido esclarecer se pretende prosseguir as negociações ou voltar a atacar o Irão, nada foi dito.

Este domingo, o chefe da equipa negocial iraniana afirmou que Teerão apenas irá concordar com um acordo que assegure os direitos do país. “Não há confiança nas palavras e promessas do inimigo”, declarou Mohammad Bagher Ghalibaf. “O nosso único critério é conseguir resultados tangíveis antes de cumprirmos os nossos compromissos”, acrescentou, citado pela imprensa estatal.

Sem acordo à vista, o impasse deverá manter-se e, com isso, as dificuldades de navegação no estreito de Ormuz, cujo impacto sobre os mercados de distribuição de energia tem sido assinalável.

Os EUA querem um acordo que garanta que o Irão nunca terá condições para desenvolver armas nucleares – embora Teerão insista que o seu programa nuclear tem exclusivamente fins civis – e só depois dessa garantia é que irão pôr fim ao conflito que já dura há mais de três meses.

“Quanto mais tempo passe sem que tenhamos um cessar-fogo regular e acordado, e eventualmente um acordo de paz, maior é o risco de um recomeço das operações cinéticas”, disse à Al-Jazeera Richard Weitz, investigador do Colégio de Defesa da NATO.

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