Cinco pessoas curaram-se do ébola na República Democrática do Congo

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O número de casos confirmados de ébola na República Democrática do Congo mais do que duplicou em menos de uma semana. No sábado, de acordo com o mais recente balanço feito pelo Governo congolês, contabilizavam-se 42 mortos entre os casos confirmados, havia 282 pessoas com a doença (mais 19 do que no dia anterior) e 321 situações suspeitas.

Mas o fim-de-semana trouxe também outra novidade: cinco pessoas que se curaram. Apesar de não existir vacina para a variante bundibugyo do ébola, a identificada actualmente naquele país africano, “é possível sobreviver ao vírus com bons cuidados médicos”, sublinhou o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tedros Adhanom Ghebreyesus esteve no sábado em Bunia, a capital da província de Ituri, que está no centro do surto: 264 casos foram confirmados naquela zona. “Procurar cuidados médicos atempadamente faz toda a diferença”, sublinhou, num local em que a desconfiança em relação às autoridades de saúde e a desinformação são entraves reais ao controlo da epidemia.

Aliás, antes mesmo da viagem, o director-geral da OMS tinha já enviado uma mensagem à população de Ituri, instando especialmente os jovens a “falar com amigos e família” para “ajudar a quebrar o medo e o silêncio que permitem que o vírus se espalhe”. Já no terreno, Ghebreyesus abordou outro problema que as autoridades têm enfrentado e que já provocou revoltas populares: a impossibilidade de realizar velórios e funerais como habitualmente.

“Algumas práticas, como tocar nos corpos daqueles que morreram com ébola, podem espalhar o vírus ainda mais. Se choramos aqueles que perdemos, devemos fazer tudo o que pudermos para que não percamos mais”, defendeu o responsável.

Casos suspeitos no Brasil e Itália

Ghebreyesus tem tentado sensibilizar os governos africanos (e não só) para a necessidade de agir rapidamente, sob pena de o vírus se espalhar por outros países. Até ao momento, há nove casos confirmados no Uganda.

No Brasil, duas pessoas que estiveram recentemente naqueles dois países africanos apresentaram sintomas consistentes com a doença. Ambos foram diagnosticados com outras patologias (meningite e malária), mas ainda se aguardam os resultados sobre a presença de ébola. Em Itália, um caso suspeito detectado na Sardenha revelou-se negativo nesta segunda-feira.

Este é o 17.º surto de ébola na República Democrática do Congo, já considerado o terceiro maior no país desde que o vírus foi identificado há meio século.

O grande surto que está na memória de todas as autoridades é o de 2014, quando foram detectados quase 30 mil casos e mais de 11 mil pessoas morreram em seis países africanos, mas também na Europa e na América. Estaremos a caminhar para algo desse género?, perguntou a CNN ao director-geral da OMS. “Vai depender de como respondemos. Se nos movimentarmos rapidamente — e estamos a pedir à comunidade internacional que se mova rapidamente em termos de financiamento e outras coisas —, conseguiremos travá-lo”, respondeu Ghebreyesus.

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