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Durante décadas, o Brasil foi um dos destinos preferenciais dos portugueses que desejavam emigrar. Mas esse quadro mudou radicalmente nos anos mais recentes, como mostram os registros do Ministério da Justiça brasileiro, compilados pela professora Inês Vidigal, coordenadora executiva do Observatório da Emigração, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE).
Em 2025, apenas 378 portugueses deram entrada no Brasil com o intuito de viverem no país, o correspondente a apenas 0,9% do total de 41.715 estrangeiros contabilizados pelo governo. Esse número é o menor desde o início da série histórica, em 2004. Em relação ao ano anterior, o ingresso de portugueses no Brasil caiu 20,6%.
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Segundo a professora, o número de portugueses que emigram para o Brasil encontra-se cada vez mais longe do observado em 2013, quando 2.904 cidadãos foram registrados pelo Ministério da Justiça, o equivalente a 4,7% do total de estrangeiros. Esse foi o nível mais elevado do período analisado.
Europa é preferida
Na avaliação de Inês Vidigal, são vários os motivos que justificam o desinteresse dos portugueses em emigrar para o Brasil. O mais relevante deles, o fato de Portugal estar inserido na União Europeia. “É mais perto e mais barato emigrar para a Europa”, frisa. Também pesa muito a facilidade documental.
Reprodução
Outros fatores que afastaram os portugueses do Brasil foram o período recessivo enfrentado pela economia brasileira, entre 2014 e 2016, e a pandemia do novo coronavírus. “Neste momento, a economia brasileira parece estar indo bem, mas, ainda assim, não atrai os portugueses”, assinala.
Na visão da professora, hoje, são profissionais mais qualificados que escolhem o Brasil para viver, em funções estratégicas, inclusive em multinacionais. Ela também vê portugueses se fixando por períodos mais curtos no Brasil, o que não caracteriza emigração.
Mais: pesa também nas decisões dos portugueses a questão da segurança pública. “Assim como muitos brasileiros têm emigrado para Portugal em busca de segurança, portugueses não emigram para o Brasil por conta da violência”, assinala a coordenadora do Observatório da Emigração.
Venezuelanos
Diante dessa realidade, pela primeira vez, os portugueses deixaram de ser maioria entre imigrantes que vivem no Brasil. Segundo o Censo Populacional feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eles foram superados pelos venezuelanos, cuja comunidade em território brasileiro cresceu quase 94 vezes entre 2010 e 2022.
O total de portugueses morando no Brasil baixou, ao longo de 12 anos, de 137.972 para 104.345 — queda de 24%. No mesmo período, os venezuelanos saltaram de 2.869 para 271.514. Na avaliação de Marcio Minamiguchi, gerente de Estimativas e Projeções de População do IBGE, houve uma mudança no perfil dos estrangeiros que emigraram para o Brasil, com forte aumento dos cidadãos oriundos da América Latina e do Caribe e redução dos europeus.
No total, destaca o IBGE, a população de estrangeiros e naturalizados brasileiros aumentou 70%, passando de um milhão, o nível mais elevado desde 1980. Em 2010, eram 592.448 cidadãos. Esses números mostram uma inversão no fluxo migratório para o Brasil, já que, desde 1960, a população imigrante vinha diminuindo.
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