Henry Nowak morreu esfaqueado, o agressor alegou ataque racista, imagens da polícia contam outra história, protestos estão na rua

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A polícia britânica enfrentou na terça-feira uma reacção nacional negativa devido ao caso controverso de um estudante de 18 anos que foi algemado enquanto agonizava com ferimentos de faca, depois de o seu agressor ter alegado falsamente um ataque racista.

Henry Nowak morreu após o ataque com faca na cidade de Southampton, no sul de Inglaterra, em Dezembro passado. O seu agressor, Vickrum Digwa, um homem sikh de 23 anos, foi condenado na segunda-feira a prisão perpétua, depois de ter mentido à polícia na altura, alegando que Nowak o tinha agredido.

Em imagens captadas pela câmara corporal da polícia, Nowak é visto deitado na rua a dizer “Fui esfaqueado” e “Não consigo respirar”, enquanto um agente responde: “Não me parece que tenha sido, amigo”.

O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que há “questões sérias” a esclarecer, incluindo de que forma “alegações de racismo influenciaram ou contribuíram para a tomada de decisões nesse caso específico”. “É impossível ver aquelas imagens e não reconhecer que essas questões têm absolutamente de ser respondidas”, disse Starmer aos jornalistas.

O juiz William Mousley reconheceu em tribunal, na segunda-feira, que o caso gerou tensões raciais em todo o Reino Unido.

Nigel Farage, cujo partido anti-imigração Reform lidera as sondagens, afirmou que se trata de um exemplo de como os direitos das minorias étnicas se sobrepõem aos dos britânicos brancos.

“O receio de ser acusado de racismo foi maior do que lidar com o homicídio de Henry Nowak”, disse em comunicado. “Devemos responder a isto com uma raiva fria e absoluta.”

Tratamento desumano e degradante

Um protesto realizado mais tarde na passada terça-feira, em frente à esquadra de polícia de Southampton, reuniu algumas centenas de pessoas que entoavam “Não consigo respirar”, incluindo o activista anti-imigração Tommy Robinson. Outros protestos foram anunciados para esta semana.

Digwa esfaqueou Nowak com uma faca que disse estar autorizado a transportar ao abrigo de excepções concedidas aos sikhs para o porte de punhais cerimoniais.

Quando a polícia chegou, Digwa afirmou que o seu turbante tinha sido arrancado e que apresentava um ferimento num olho. A família de Nowak classificou o tratamento dado pela polícia como “desumano e degradante”, mas, numa declaração à saída do tribunal, o pai afirmou que a morte do filho não deve ser “usada para criar mais divisão, ódio ou tensão”.

Essa posição foi acompanhada pela ministra do Interior britânica, Shabana Mahmood, que disse ao parlamento na terça-feira que todos são iguais perante a lei e apelou à calma durante a investigação.

“Devemos condenar aqueles que procuram obter ganhos políticos pessoais a partir de uma tragédia”, afirmou, alertando que ameaças contra a polícia e comentários inflamados estão a agravar a situação.

Acrescentou que os serviços públicos devem avaliar apenas o risco que uma pessoa representa, e não a sua raça ou religião. Referindo esforços anteriores para combater o racismo no policiamento, Mahmood disse: “Quaisquer que sejam as alterações introduzidas, é importante que não haja uma sobre-correcção que faça com que todos nós, enquanto cidadãos, deixemos de ser iguais perante a lei.”

O líder do Reform, Farage, procurou traçar paralelos com a morte de George Floyd, em 2020, nos Estados Unidos, que desencadeou o movimento Black Lives Matter. Floyd disse “Não consigo respirar” enquanto um agente da polícia se ajoelhava sobre o seu pescoço durante vários minutos.

Nowak morreu pouco depois de ter sido algemado pela polícia. Quando os agentes perceberam que estava ferido, retiraram-lhe as algemas e iniciaram manobras de reanimação.

A força policial, Hampshire Police, pediu desculpa.

Num comunicado separado divulgado na terça-feira, a corporação indicou que um dos agentes envolvidos na detenção se demitiu, enquanto outros três estão a ser tratados como testemunhas na investigação. Um porta-voz do gabinete do Procurador-Geral afirmou que foram recebidos vários pedidos para reavaliar a pena mínima de 21 anos aplicada a Digwa, acrescentando que as autoridades dispõem de 28 dias após a sentença para decidir sobre eventuais alterações.

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