Depois de visitarem Lisboa e percorrem o centro do país, os duques de Edimburgo chegam ao Porto para o último dia da visita real a Portugal. Na Invicta, começam a manhã a receber as chaves da cidade pela mão do presidente da câmara, Pedro Duarte, mas espera-os um dia recheado que inclui encontros com estudantes, uma visita à Sé e, claro, um brinde com vinho do Porto, antes de Eduardo e Sofia regressarem a Londres.
Depois da cerimónia de entrega das chaves da cidade na Câmara Municipal do Porto, onde será recebido com honras da Polícia Municipal e dos Bombeiros, o irmão mais novo de Carlos III vai a uma escola britânica, à semelhança do que fez nesta terça-feira em Lisboa, onde esteve na St. Julian’s, em Carcavelos.
Na Oporto British School, a mais antiga escola britânica na Europa, fundada em 1894, vai plantar uma árvore com os jovens estudantes e conhecer organizações ligadas ao prémio internacional do duque de Edimburgo (criado em 1956 pelo príncipe Filipe para apoiar jovens promissores), que funciona em 50 escolas e universidade portuguesas. Curiosamente, Isabel II esteve na mesma instituição de ensino em 1957, quando visitou Portugal pela primeira vez, lembra em comunicado a Embaixada Britânica, organizadora desta visita real.
Ao final da manhã, os duques de Edimburgo são recebidos na Feitoria Inglesa, que foi ponto de encontro social dos comerciantes britânicos de vinho do Porto durante o século XVIII. O casal vai aprender sobre a importância das trocas comerciais entre os dois países, quando os portugueses enviavam vinho para Inglaterra e recebiam têxteis de volta.
De seguida, será a escritora e jornalista Isabel Stilwell, com raízes inglesas e autora de romances históricos (o primeiro precisamente sobre Filipa de Lencastre), a guiar a visita à Sé do Porto, local símbolo para a união luso-britânica. Foi aqui que a 2 de Fevereiro de 1387, aconteceu o casamento entre o rei D. João I e Filipa de Lencastre, neta do rei Eduardo III de Inglaterra, fruto do Tratado de Windsor, assinado no ano anterior, que oficializava a colaboração entre Portugal e Inglaterra.
O acordo, que ninguém denunciou nos últimos 640 anos e continua activo (sendo considerado o tratado mais antigo do mundo), estabelecia obrigações de socorro mútuo, auxílio militar e apoio diplomático, além de livre circulação de pessoas e bens nos dois territórios.
Nuno Ferreira Santos
Música e um brinde
Da Sé do Porto, Eduardo e Sofia seguem para a Casa da Música, onde serão recebidos com uma performance de dança dos jovens da associação Desporto no Bairro, um projecto de inclusão social congrega desporto e arte nos 18 bairros da cidade. No auditório, o casal terá oportunidade de ouvir a Orquestra Barroca, antes de conhecer alguns membros da comunidade britânica a viver na cidade.
E, claro, nenhuma visita ao Porto podia estar completa sem as caves de Gaia. Na Graham’s, os duques de Edimburgo vão conhecer a história do vinho e perceber o trabalho que tem vindo a ser feito em direcção à sustentabilidade. Eduardo e Sofia vão, ainda, baptizar um barril de vinho do Porto — a cerimónia tradicional de salpicar o vinho sobre o barril.
Já em Portugal, Eduardo confessou-se um fã de vinho do Porto, denunciando qual seria a parte da viagem a entusiasmá-lo mais. “Os ingleses adoram vinho, mas era muito mais fácil transportá-lo para lá se fosse fortificado”, disse, com humor, na Torre do Tombo, em Lisboa, na segunda-feira.
A visita real de três dias (que não é uma visita de Estado porque Eduardo é apenas irmão do rei) iniciou-se com a inauguração de uma exposição dedicada ao Tratado de Windsor no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Depois Eduardo e Sofia visitaram o Jardim da Estrela e passearam de eléctrico com o presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, antes de terminarem a tarde numa festa de jardim na residência da embaixadora britânica, Lisa Bandari.
Na terça-feira, conheceram a Tekever, especializada no fabrico de drones no aeródromo de Atouguia de Baleia, que também emprega “centenas de pessoas” em todo o Reino Unido. No Mosteiro da Batalha, local onde o mestre de Avis (futuro D. João I) garantiu a independência de Portugal depois de derrotar as tropas castelhanas com o apoio de Inglaterra, o casal depositou flores no Túmulo do Soldado Desconhecido e na Capela dos Fundadores.
Esta foi a primeira visita da família real britânica a Portugal desde 2011, quando o então príncipe de Gales, Carlos, esteve por cá, acompanhado da mulher, Camila. Resta saber se, depois de Eduardo vir dar o exemplo, fica a porta aberta para Carlos III regressar ao país aliado agora enquanto rei.
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